Segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 29 de fevereiro de 2024
Há meses, a startup americana Humane vem causando burburinho imenso no mercado de tecnologia. A empresa vai lançar em 31 de março o que vem sendo chamado informalmente de “o produto que vai matar o iPhone”. Ou seja, o aparelho com inteligência artificial (IA) que vai substituir de uma vez por todas os smartphones. Isso não é pouca coisa, é claro.
Trata-se do Ai Pin, um broche inteligente em alumínio de formato quadrangular de não mais que cinco centímetros e 32 gramas que pode ser facilmente acoplado à camisa ou jaqueta por meio de um ímã. O maior diferencial é que não há uma tela para a qual o usuário pode ficar olhando por horas e mais horas – daí a alcunha de “matador do iPhone”.
Assim como um smartphone, o broche é capaz de fazer buscas na internet, atender a ligações, checar e enviar mensagens, exibir o calendário, traduzir conversas em tempo real, tocar música nos fones de ouvido, tirar fotografias e fazer vídeos e cuidar da saúde física, entre outras atividades. Ou seja, é quase como nossos celulares inteligentes – mas sem as viciantes telas que nos prendem a eles.
O usuário interage com o Ai Pin com comandos por voz (por meio de uma assistente digital similar à Alexa, da Amazon), com gestos no próprio aparelho (como deslizar para atender uma ligação ou usar dois dedos para acionar uma gravação) e por movimentos dos dedos (como pinçar com os dedos para confirmar uma ação). Em termos de realidade aumentada, o aparelho “vê” o mundo externo graças aos sensores, microfones e câmeras embutidos. Além disso, é capaz de projetar informações e imagens em baixa resolução na palma da mão do usuário (que, em última instância, transforma-se numa tela).
Tudo isso é turbinado por uma poderosa inteligência artificial (IA), que consegue compreender os comandos por voz e respondê-los também por áudio ou por texto exibido na palma da mão. E a máquina consegue aprender com os hábitos do usuário, tornando-se mais útil e inteligente com o uso. É como se o ChatGPT, da OpenAI, estivesse totalmente integrado a um dispositivo.
Fundada em 2018 por dois ex-funcionários de décadas da Apple (o casal Imran Chaudhri e Bethany Bongiorno), a Humane é bem clara: o Ai Pin nasce “da boa intenção” de criar um produto “humano” e “natural”, diz a startup. Um dos objetivos do produto é “eliminar notificações desnecessárias”.
O Ai Pin primeiro apareceu na Fashion Week de Paris, em outubro de 2023, sob a lapela da modelo Naomi Campbell durante desfile da grife Coperni. No mês seguinte, a Humane anunciou o início das vendas nos Estados Unidos, com preço partindo de US$ 699, além de assinatura mensal de US$ 24 para bancar o armazenamento em nuvem e outros serviços da startup. Estranhamente, o produto que pode substituir o iPhone pode sair tão caro quanto o smartphone da Apple.
Os recursos prometidos pela Humane também funcionam surpreendentemente bem. A inteligência artificial que turbina o aparelho é natural, sem engasgos (em relação às assistentes digitais dos celulares, como a Siri, do iPhone, por exemplo) e parece realizar tarefas de dia a dia com competência, com rapidez. Como diria o fundador da Apple, Steve Jobs, “simplesmente funciona” – ao menos em uma demo altamente guiada.
O Ai Pin não deve substituir o iPhone. Mas talvez seja o primeiro aparelho a forçar uma mudança na forma como lidamos com os smartphones, que se tornaram o coração do nosso ecossistema digital.
Talvez a inteligência artificial possa, enfim, permitir que os dispositivos eletrônicos tornem-se mais pessoais e simples. Basta um comando de voz e uma mensagem é enviada, sem erros de digitação cometidos pela máquina. Outro comando de voz, e o aparelho consegue gravar um vídeo da rua em movimento. Mais uma ordem, e o dispositivo faz uma busca da internet e projeta as informações, de forma resumida, na palma da sua mão. Tudo isso sem tirar o celular do bolso.
O Ai Pin pode forçar com que os smartphones sejam repensados. Da mesma forma que o iPhone, em 2007, nos fez repensar o celular. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Os comentários estão desativados.