Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 4 de junho de 2023
O número apresentado teve um crescimento exponencial após a pandemia de covid.
Foto: FreepikA evasão escolar pode ser classificada como o abandono estudantil motivado por diferentes causas. Esse tema é frequente nos debates educacionais brasileiros há tempos e entender os motivos para ele ser uma constante pode ser um primeiro passo para buscar diferentes soluções para a temática. Segundo uma pesquisa realizada recentemente pelo Unicef, cerca de 2 milhões de crianças e adolescentes de 11 a 19 anos não estão frequentando a escola no território nacional.
O número apresentado teve um crescimento exponencial após a pandemia de covid, que contribuiu para o aumento da desigualdade social e econômica em diferentes aspectos, sendo um deles a educação básica nacional. A pandemia, no entanto, não foi a única razão para o crescimento desse número. Em 2018, em uma pesquisa também realizada pelo Unicef, foi revelado que a evasão escolar continuava a apresentar uma projeção de crescimento – apenas entre 2017 e 2018 cerca de 220 mil jovens desistiram de frequentar a escola, a maioria desses pertencia às escolas públicas.
A professora Helena Singer, doutora em Sociologia pela Universidade de São Paulo e coordenadora do Movimento de Inovação na Educação, explica que para a compreensão do tema é importante entendermos antes o papel da escolarização obrigatória. Essa foi determinada em 1996, a partir da Lei de Diretrizes e Bases da Educação e estendida por meio da Lei nº 12.796, de 4 de abril de 2013, que torna obrigatório o ensino básico a partir dos 4 anos de idade e a sua manutenção até os 17 anos. “A educação é um direito do cidadão e é dever do Estado oferecer a escola e garantir as condições para a permanência do estudante”, comenta a professora.
Processo histórico
É interessante observar que é a partir dos anos 90 que a infraestrutura das escolas públicas passa a apresentar melhores condições. Essa contribuição foi importante para melhorar a situação do período, já que a ausência de vagas era uma das maiores contribuições para a evasão escolar. Assim, a especialista comenta que o abandono estudantil está ligado a questões estruturais hoje. “Embora tenhamos escolas bem espalhadas pelo território, muitas vezes as condições não são muito favoráveis. É preciso garantir, por exemplo, o transporte escolar e a merenda, ou seja, garantir que os estudantes estejam nesse ambiente com qualidade.”
Pandemia e políticas públicas
É notório que o cenário pandêmico contribuiu para o aumento da evasão escolar, isso aconteceu, segundo a professora, “pois houve uma perda de vínculo da escola com os estudantes e suas famílias”. A falta de acesso à internet afetou a continuidade do estudo desses indivíduos, já que as instituições de ensino não estavam preparadas para fornecer a educação com uma base remota – cenário que nunca foi presente ou necessário no País até então.
Segundo um levantamento realizado pela organização Todos Pela Educação, a evasão obteve um aumento de cerca de 171% durante esse período, quando comparado ao ano de 2019. Apesar dos dados, Helena explica que o quadro pode ser revertido, apesar das dificuldades que podem aparecer durante esse processo. Para ela, as políticas públicas devem atacar todas as frentes possíveis, assim, a infraestrutura adequada para o número de alunos deve ser garantida juntamente com a proximidade das escolas das residências.
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Onde está o Poder Público? Onde estão os políticos? Onde estão as ONGs? Onde estão os politicamente corretos? Onde estão as emissoras de tv? Esse problema necessita do empenho de todos, pois, chega de demagogia, basta de frases de efeito, como “Jovens o futuro do Brasil” , “Pátria Educadora”!