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Ciência Cientistas chineses descobrem duas cepas diferentes de coronavírus

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A prevalência do vírus mais agressivo diminuiu após o início de janeiro de 2020, disseram os pesquisadores. (Foto: Reprodução)

Cientistas chineses que estão estudando o surto da doença causada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2) descobriram que duas cepas do vírus estão circulando entre humanos e causando infecções.

Os pesquisadores da Escola de Ciências da Vida da Universidade de Pequim e do Instituto Pasteur de Xangai sob a coordenação da Academia Chinesa de Ciências informaram que o estudo analisou apenas uma gama limitada de dados, e disseram que são necessários estudos de acompanhamento, com um conjunto de dados maior, para entender melhor a evolução do vírus.

O estudo preliminar constatou que uma cepa mais agressiva do SARS-CoV-2 foi associada a cerca de 70% dos casos analisados em Wuhan, na China, enquanto 30% estavam ligados a um tipo menos agressivo.

A prevalência do vírus mais agressivo diminuiu após o início de janeiro de 2020, disseram os pesquisadores.

“Essas descobertas falam fortemente a favor da necessidade imediata e urgente de mais estudos abrangentes que combinem os dados genômicos, epidemiológicos e os registros médicos dos sinais e sintomas dos pacientes infectados pelo SARS-CoV-2”, escreveram eles em um estudo publicado em 3 de março no National Science Review, o periódico da Academia Chinesa de Ciências.

Especialistas que não participaram diretamente do estudo disseram que esses achados são interessantes, mas alertaram para que não sejam tiradas conclusões definitivas com base em pesquisas ainda tão incipientes.

“É difícil confirmar estudos como esse sem uma comparação direta lado a lado da patogenicidade e disseminação, de preferência feita em um modelo animal, ou pelo menos em um estudo epidemiológico bastante extenso”, disse Stephen Griffin, professor e especialista em infecção e imunidade na University of Leeds, na Inglaterra.

Especialistas afirmam que a amostragem é muito pequena para que se possa chegar a uma conclusão definitiva. Além disso, vários questionaram também a ciência por trás das conclusões dos chineses.

Professor de evolução molecular na Universidade de Edimburgo, na Escócia, Andrew Rambaut afirmou que as diferenças apontadas entre as duas linhagens seriam variações normais. “Simplesmente observar que as duas linhagens são diferentes e dizer que as mutações causaram as diferenças é uma inferência”, disse.

Outro especialista que questionou as conclusões foi Oscar MacLean, da Universidade de Glasgow. Ele e sua equipe publicaram as suas conclusões no Virological.org, um fórum online de discussão e compartilhamento de dados sobre virologia. “Acreditamos que os indícios são insuficientes para os autores chegarem a essas conclusões e que é incorreto (e irresponsável) dizer que existe uma diferença nas taxas de transmissão das duas linhagens.”

O virologista Ian Mackay, da Universidade de Queensland, na Austrália, concordou com os colegas. Segundo ele, os padrões identificados no estudo são “variações normais”. Ele disse também que o estudo é fraco, “ciência ruim”.

No dia 4 de março, uma das principais associações médicas da China disse que a mediana do período de incubação do SARS-CoV-2 é de cinco a sete dias, chegando ao máximo de 14 dias.

As informações divulgadas pelo Dr. Du Bin, presidente da Divisão de Medicina Intensiva da Chinese Medical Association, são um marco como a avaliação mais conclusiva do período de incubação do vírus por uma organização médica afiliada ao governo até o momento.

As revelações vieram junto com uma queda nos novos casos de infecção por SARS-CoV-2, que ocorreu após importantes restrições impostas à segunda maior economia do mundo para impedir a propagação do vírus, como a suspensão dos transportes e a extensão do feriado do ano novo lunar. As informações são da agência de notícias Reuters.

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