Quarta-feira, 28 de Outubro de 2020

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Geral Cientistas de uma universidade na Flórida reforçam que é possível se infectar com coronavírus pelo ar

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São 3.278.918 casos recuperados. (Foto: Reprodução)

Mais um estudo preliminar, ainda não divulgado em revista científica, reforça a possibilidade de que o novo coronavírus (Sars-CoV-2) seja transmissível pelo ar. Cientistas da Universidade da Flórida e da empresa americana “Aerosol Dynamics Inc” encontraram, no ar, pedaços do vírus que podem infectar humanos e causar a Covid-19.

Essa possibilidade já havia sido apontada em outros estudos, também preliminares, e reconhecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS), mas ainda não há conclusões definitivas a respeito.

A pesquisa da Flórida foi divulgada numa plataforma on-line no dia 4 de agosto, mas ainda não passou por revisão de outros cientistas (a chamada “revisão por pares” ou “peer review”, em inglês), etapa que é necessária para validação dos resultados e publicação deles em revista científica.

Os cientistas disseram ter achado vírus viável em amostras de ar coletadas de 2 a 4,8 metros de distância dos pacientes infectados, internados em um hospital. Essa distância é maior do que a mínima recomendada pela OMS para evitar a transmissão do vírus.

A sequência genética do vírus encontrada no material coletado era idêntica àquela isolada em testes feitos em pacientes com infecção ativa, segundo o estudo.

Os pesquisadores alertaram que pacientes com a Covid-19 podem produzir gotículas que carregam o vírus (aerossóis) que podem transmitir a doença mesmo sem terem passado por procedimentos que gerem essas gotículas, como a intubação.

“Pacientes com manifestações respiratórias de Covid-19 produzem aerossóis na ausência de procedimentos geradores de aerossóis que contêm Sars-CoV-2 viável, e esses aerossóis podem servir como fonte de transmissão do vírus”, afirmaram.

Outros indícios

No início de julho, mais de 200 cientistas apoiaram uma carta aberta à comunidade médica internacional, incluindo a OMS, pedindo que reconhecessem o risco de transmissão da Covid-19 pelo ar.

A entidade disse que a transmissão pelo ar não podia ser descartada em alguns tipos de ambientes internos, e sugeriu uma combinação de fatores para que ela pudesse ocorrer.

Segundo a última atualização do site da organização, no dia 9 de julho, “a transmissão aérea do Sars-CoV-2 pode ocorrer durante procedimentos médicos que geram aerossóis”.

“A OMS, junto com a comunidade científica, tem discutido e avaliado ativamente se o Sars-CoV-2 também pode se espalhar por meio de aerossóis na ausência de procedimentos geradores de aerossol, particularmente em ambientes fechados com pouca ventilação”, diz o texto.

Semanas depois, pesquisadores da Universidade de Nebraska, também nos EUA, divulgaram o resultado de um estudo apontando que era possível localizar partículas virais do Sars-CoV-2 nos ar. Além disso, os cientistas conseguiram, pela primeira vez, multiplicar em laboratório o material do vírus que estava em suspensão. A pesquisa também foi divulgada como prévia, sem avaliação por pares.

Ainda em julho, outra prévia de pesquisa, feita por cientistas de Harvard, apontou que 59% da transmissão da Covid-19 no navio “Diamond Princess” ocorreu pelo ar, e não pelo contato com gotículas de saliva (responsável pelos outros 41%). Os cientistas recriaram o surto em um computador e observaram os padrões nas taxas de contaminação.

O “Diamond Princess” foi apontado como um dos pontos de surto da epidemia ainda em fevereiro, quando poucos países confirmavam casos de Covid-19. Com quase 4 mil passageiros, o navio chegou a ficar quase um mês de quarentena em um porto japonês. Ao todo, mais de 700 pessoas foram infectadas pelo novo coronavírus na embarcação.

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