Sexta-feira, 14 de Agosto de 2020

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Rio Grande do Sul Comportamento do consumidor será diferente após isolamento, diz pesquisa apresentada em fórum na Assembleia Legislativa

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Reunião do Fórum de Combate ao Colapso Social e Econômico.

Foto: Reprodução
Reunião do Fórum de Combate ao Colapso Social e Econômico. (Foto: Reprodução)

Nada será como antes depois do coronavírus. Pesquisa divulgada na tarde desta quinta-feira (16), na 5ª reunião do Fórum de Combate ao Colapso Social e Econômico, coordenado pelo presidente da Assembleia, Ernani Polo (PP), mostra que o comportamento do consumidor será diferente após o fim do isolamento. “Na China, o lockdown produziu uma nova consciência nas pessoas, trouxe um pensamento mais sustentável e racional em detrimento ao pensamento consumista. Nos chama atenção a valorização do básico. O consumidor quer qualidade, mas acima de tudo, preço”, destacou o empresário João Satt, do Grupo G5, que apresentou o estudo para deputados e líderes de entidades que integram o grupo.

O empresário e estrategista apresentou a pesquisa “O mundo pós Covid-19”, que ouviu na internet mil pessoas das regiões Sul e Sudeste do Brasil, entre 1º e 3 de abril, sobre o que pensam sobre o isolamento e suas projeções de hábitos de consumo depois do fim da quarentena. O estudo identificou que, apesar de as pessoas desejarem o resgate da “vida normal”, de boas condições de vida e de volta ao consumo, haverá preocupação, após o fim do isolamento, com o risco de contágio nas ruas e estabelecimentos comerciais, a insegurança financeira com o desemprego e término de atividades, e a violência.

Satt relatou que 50% dos pesquisados dizem que voltarão ao consumo com preferência pelo pagamento à vista, ou seja, estarão mais preocupados com descontos e preço do que com prazos. Os setores de alimentação e bebidas (74%), saúde (43%) e educação (26%) serão os prioritários. Já os considerados não prioritários serão viagens (81%), roupas e calçados (77%) e estética e beleza (71%), ainda que desejados pelas pessoas. Os setores econômicos que devem ser os mais prejudicados, pelo receio das pessoas com aglomerações, conforme a pesquisa, serão os restaurantes, shopping centers, comércio e serviços, turismo e eventos. Por outro lado, alguns deles estão entre os mais desejados, ou seja, que as pessoas mais gostariam de frequentar: bares e restaurantes, lojas e comércio em geral, shoppings e salões de beleza, pela ordem. “Eventos grandes devem ser evitados porque não terão público”, analisou Satt. A pesquisa também mostrou que a maioria das pessoas (56%) vai preferir, por conta do medo de contágio, o deslocamento em veículos próprios (56%) e avião (21%), o que traz desafios para apps de transporte (12%) e ônibus (8%).

Satt ainda trouxe dados sobre o cenário na China depois do fim do isolamento. No país asiático, 80% das pessoas voltaram ao trabalho, mas 20% continuam em casa. O fluxo de veículos retornou 70%, mas nos shoppings o movimento não passa de 40%. No comércio, as lojas físicas registraram queda de 50%, mas o e-commerce cresceu 24%. Segundo os dados apresentados, estão em queda os setores de moda, cosméticos, joias, móveis, lojas físicas, restaurantes, hotéis e apps de transporte. Em alta, saúde, com foco em corpo e mente, e alimentação mais sustentável.

Reuniões desde 26 de março

Com reuniões desde 26 de março, o Fórum tem como objetivo analisar a situação gerada pelo coronavírus e propor medidas para o pleno funcionamento dos setores estratégicos para a produção de alimentos, comércio, indústria e serviços, incluindo segmentos que dão suporte a eles. Em 7 de abril, o grupo entregou ao governador Eduardo Leite (PSDB) um protocolo de procedimentos para o funcionamento dos estabelecimentos elaborado pelo Sistema Fecomércio.

Em decreto publicado nesta quinta-feira (16), o governador autorizou o funcionamento do comércio em cidades gaúchas caso autorizadas pelos prefeitos, com exceção das que fazem parte da região metropolitana de Porto Alegre – originalmente a Serra também estava incluída na restrição até 30 de abril, mas foi retirada.

O presidente da Assembleia destacou o avanço das novas medidas do governador: “Tivemos o anúncio do novo decreto do governo, possibilitando a um grande número de cidades um retorno, com algumas restrições, mas que vamos buscar, com diálogo, avançar e alcançar novas etapas. Nesse sentido, o governo ainda pode avaliar as cidades de forma individual, pois há muitas realidades diferentes. Mas é preciso ressaltar que a responsabilidade da sociedade continua em enfrentar o coronavírus. Estamos reiterando também a necessidade do uso de máscaras, estimulando isso via redes sociais, pois o acessório protege e transmite uma sensação de segurança. E, da mesma forma, precisamos pensar no pós crise, para planejar a retomada e que a rotina volte, com a perda do medo e com segurança”, avaliou.

Daniel Randon, do Transforma RS, também ressaltou a importância das novas decisões e o trabalho do Fórum: “Estamos passando por uma grande mudança que irá afetar nossas vidas. O governador demonstrou bom senso e revisou o novo decreto, permitindo uma retomada também na serra gaúcha e, nesse sentido, parabenizo o trabalho do presidente Ernani Polo e do Fórum como um todo, que contribuiu com as novas decisões no Estado. Na Serra, tivemos empresas que já retomaram gradualmente as atividades. Antes havia muito medo, mas nos preparamos com protocolos de segurança, apoiando os colaboradores com informações e equipamentos. Isto nos deu um sentimento muito positivo, com as pessoas indo trabalhar com segurança”, disse.

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