Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 14 de fevereiro de 2017
O paquistanês Yasir Jarwar, de 16 anos, foi escolhido por seu pai para chegar à Europa e levar os irmãos mais novos. “Somos quatro irmãos. Quando eu chegar a Berlim [Alemanha], a primeira coisa que farei é começar a trazer todos os meus irmãos e, depois, meu pai e minha mãe. Pode levar alguns anos, mas vamos conseguir.”
Yasir faz parte do grupo de 3,1 mil crianças ou adolescentes que estão na Sérvia em campos de refugiados, sob temperaturas de -3°C, porque uma cerca construída pela Hungria impediu seu ingresso na Europa. Deste grupo, mil têm menos de 6 anos e 747 – quase 10% do total de 7,7 mil imigrantes barrados na fronteira – viajam sem seus pais, como Yasir. O caminho por terra entre o Paquistão e a Síria tem mais de 7 mil quilômetros.
O Paquistão não faz parte da lista de países que a Europa considera seguros, o que significa que a chance de Yasir entrar é mínima. Ele conta que já foi barrado quatro vezes na fronteira da União Europeia (UE). O que muitas entidades e especialistas temem é que, fracassando, esses jovens possam se rebelar contra o Ocidente.
A incerteza sobre o destino de centenas de crianças e adolescentes é uma das consequências diretas da política da UE. De acordo com a “Save The Children”, dos cerca de cem imigrantes e refugiados que entram na Sérvia por dia, 30% são crianças ou adolescentes. Em dois meses, a organização estima que 1,6 mil pessoas foram barradas pela polícia da Croácia e da Hungria, e enviadas de volta para a Sérvia. (AE)
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