Quinta-feira, 28 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 30 de setembro de 2017
A cúpula do PSDB entrou em campo para pressionar o deputado tucano Bonifácio de Andrada (MG) a abandonar a relatoria da segunda denúncia contra o presidente Michel Temer e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência) na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara. O que se discute é uma possível destituição da comissão caso o deputado se recuse a deixar a função.
O clima de animosidade chegou ao presidente em exercício do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), que conversou com o líder da bancada na Câmara, Ricardo Tripoli (SP), sobre o caso. Interlocutores afirmam que Tasso e Tripoli estão alinhados sobre a questão. Tasso ouviu a opinião do senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES), que tem sido um dos representantes dos cabeças-pretas no Senado.
“O incômodo é muito grande, parece que a escolha do Bonifácio foi para provocar um segmento do partido que defende a saída do PSDB do governo. Se o partido está dividido em relação ao tema, o mais recomendado é que não fosse alguém do PSDB pra fazer o relatório. Isso me parece uma brutal provocação e um desrespeito às divergências que existem no PSDB”, afirmou Ferraço.
Os dirigentes tentam agora persuadir Bonifácio da “inconveniência” do convite feito pelo presidente da comissão, o peemedebista Rodrigo Pacheco (MG). A escolha de Bonifácio para a relatoria da nova denúncia levou a ala jovem do PSDB, os chamados cabeças-pretas, a declarar “guerra” ao Palácio do Planalto.
Para os jovens tucanos, a indicação de Pacheco foi “desrespeitosa” e “desleal” ao partido, que não queria nenhum de seus liderados nesta função. “É muito difícil não ver dedo do palácio nisso aí”, afirmou o deputado Fábio Sousa (PSDB-GO)
Repaginar
Com a expectativa de superar a votação da denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República) ainda em outubro, a equipe de comunicação de Michel Temer vai tentar, a partir de novembro, “repaginar” a imagem do peemedebista, recordista de rejeição.
A “narrativa” passaria de um presidente “reformista” para o “transformador”. A comunicação do governo deve buscar “traduzir” as ações de Temer para a sociedade, na tentativa de melhorar os índices de popularidade do governo, hoje nos 3%, o menor índice desde a ditadura militar.
Uma das ideias é criar uma espécie de “Plano Temer”, uma compilação de feitos do governo na área econômica e a promoção de medidas que virão no próximo ano. Se for mesmo aprovada, a reforma da Previdência seria um dos fios condutores do plano, que ainda está em fase de elaboração. Nesta sexta-feira (29), no Rio, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que a reforma será “menor do que o governo imaginava”.
O marqueteiro do peemedebista, Elsinho Mouco, tenta construir um discurso de que a guinada de Temer seria comparável à criação do Plano Real, lançado em 1994, e ao Plano Marshall – plano econômico criado no pós-Segunda Guerra Mundial para reconstruir os principais países capitalistas afetados pela guerra.
“Vamos construir um compilado de ações do governo, que eu, por enquanto, batizei de Plano Temer. A ideia é ter o tamanho de um Plano Real, ser um Plano Marshall moderno”, disse o marqueteiro.
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