Terça-feira, 11 de Agosto de 2020

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Tito Guarniere De galhofas e galhofeiros

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Economia começa a reagir e já se fala em reeleição. (Foto: Reprodução)

O Brasil é um país de galhofas. A obra de transposição do Rio São Francisco já foi inaugurada por quatro presidentes da República: Lula, Dilma, Temer e agora Bolsonaro. E ainda não está concluída. Galhofeiros não são somente os governantes citados – na conta devem ser incluídos os seus eleitores.

Vejam como tenho razão: o amigo de infância de Bolsonaro, Fabrício Queiroz, que andava desaparecido, foi descoberto e preso. Estava homiziado na casa do advogado Frederick Wassef, outro da turma dos amigos do peito do presidente. Wassef alegou que não sabia porque diabos Queiroz foi parar na sua casa de Atibaia. É como o pilantra que, flagrado na cama com outra mulher, pede calma à esposa: “Querida, posso explicar. Não é o que você está pensando!”.

Olhem Janaína Pascoal. É a deputada estadual mais votada de todos os tempos: mais de dois milhões de votos. Quase foi vice-presidente na chapa de Bolsonaro. Em entrevista recente ela atribuiu a Eduardo Bolsonaro a intenção de derrubar o paizão Jair, para ser candidato a presidente em 2022. Uma teoriazinha conspiratória tem o seu charme. Mas Janaína não tinha necessidade de exagerar.

O governo Bolsonaro melhorou depois que ele parou de falar pelos cotovelos. Qualquer governo melhora sem oposição. Como Bolsonaro era a oposição ao seu próprio governo, bastou ele se calar para as coisas se acalmarem. Dizem que ele tomou maracugina. Não foi. O que ele tomou foi cloroquina. Bolsonaro calado é um poeta (apud Romário, sobre Pelé).

Dilma Rousseff deixou saudades, não do seu governo, mas das frases incompreensíveis do seu dialeto particular. Ainda hoje ela dá o ar da sua graça. Perdeu um pouco o fôlego, mas se lhe derem o microfone, ainda tem seus lampejos. Dia desses ela se referiu ao vírus da covid-19 como “solerte”, “esperto”, que se transmite na horizontal, “porque as famílias são horizontais”.

Foi ela, Dilma, que inaugurou uma patranhazinha não muito edificante, de dar uma incrementada no currículo. Lembram? Quando ela foi apresentada como candidata à sucessão de Lula, deram divulgação ao seu currículo, que mencionava um mestrado na Unicamp. Como a imprensa é muito chata e nunca desliga, descobriram que ela fez umas cadeiras, mas não completou o curso. Era um mestrado fake.

Num país que não fosse de galhofas e galhofeiros, seria motivo para afastar a candidatura. Mas era no Brasil, e Dilma foi eleita. Eleita e reeleita, com os votos maciços da academia, dos intelectuais, dos letrados, que não viram defeito nem na fraude curricular, nem nos atentados que ela cometia diuturnamente (e noturnamente, acrescentaria ela) contra o idioma.

Os políticos no Brasil (em geral) não gostam de copiar as ações dos seus colegas e rivais, a menos que se tratem de maus exemplos. É o caso do doutor Carlos Decotelli, que também incluiu no currículo um mestrado fake. Dançou. Foi um dos mandatos ministeriais – era para ser ministro da Educação – mais curtos da história republicana. Decotelli se deu mal, mas não descuidou de anotar no currículo fatídico o cargo de ministro, que ele nem chegou a exercer. É ou não uma galhofa?

 

 

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