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Saúde Dengue: União Europeia aprova nova vacina para a doença, que está em análise no Brasil

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Imunizante será para crianças a partir de quatro anos até adultos com 60. (Foto: Walterson Rosa/Ministério da Saúde)

A Comissão Europeia aprovou, nesta quinta-feira (8), o uso da vacina contra a dengue QDENGA, também chamada de TAK-003, para pessoas a partir de quatro anos. O aval segue a recomendação favorável do Comitê de Medicamentos para Uso Humano (CHMP) do bloco em outubro. O imunizante está em análise no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 2021.

Desenvolvida pela farmacêutica japonesa Takeda, essa é a primeira vacina para prevenção primária a receber o sinal verde na União Europeia. Será também uma proteção inédita no Brasil, caso receba um aval semelhante. Nos dois locais, existe uma aplicação disponível, mas que é destinada apenas para pessoas que já foram contaminadas pelo vírus da dengue, ou seja, para impedir a reinfecção – que costuma ser mais grave.

“A aprovação da Comissão Europeia marca um importante ponto de virada para a QDENGA, pois estamos um passo mais perto de alcançar nossa aspiração de ajudar a reduzir a carga global da doença”, disse Gary Dubin, presidente da Unidade de Negócios Global de Vacinas da Takeda, em comunicado.

Há duas semanas, a Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, também aceitou um pedido para aprovação da vacina da Takeda em regime de análise prioritária no país. O imunizante, que já foi liberado na Indonésia, está ainda em avaliação em outras partes da Ásia e da América Latina.

“É essencial que tenhamos uma forma de conter a transmissão da dengue dado que cada vez mais temos novos surtos e em localidades onde não costumávamos ter a doença, ao menos com tanta frequência, o que leva a mais casos de doença grave e pressão na saúde pública. Uma vacina eficiente seria a forma mais eficaz”, afirma a virologista Luciana Costa, professora do Instituto de Microbiologia e do Laboratório de Genética e Imunologia das Infecções Virais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Avanço da dengue

Em janeiro, um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontou que a incidência da doença, transmitida pelo mosquito Aedes Aegypti, cresceu oito vezes nos últimos 20 anos, ritmo que deve continuar devido às mudanças climáticas e à urbanização. No Brasil, apenas neste ano foram cerca de 1,4 milhão de casos da doença, além de 975 óbitos – número mais alto registrado desde 2015 e próximo do recorde histórico.

Luciana, da UFRJ, explica que hoje a maneira eficaz de evitar o espalhamento da dengue é o controle do vetor, o mosquito. Porém pontua que essa estratégia também tem sido insatisfatória no país.

“Temos essa conjunção de fatores que é a baixa eficiência no controle do mosquito, o aumento na densidade desses vetores, principalmente nos grandes centros urbanos, e o grande número de pessoas suscetíveis. Isso leva à grande circulação do vírus, por isso temos observado gradativamente um aumento no número de casos graves”, afirma a virologista.

O fato de o único imunizante disponível hoje no país ser limitado no combate à doença chama atenção para a importância de novas aplicações. O atual, chamado de Dengvaxia, foi desenvolvido pela farmacêutica Sanofi e é indicado somente para pessoas entre 9 e 45 anos que já foram infectadas pelo vírus. Além disso, é oferecida apenas na rede privada. Para Costa, são fatores que mostram que a aplicação não é eficiente para controlar a doença.

“O desafio grande é o quão eficiente a vacina contra a dengue consegue ser. Esse é o problema com o imunizante atual, que vimos uma proteção que não era eficiente contra um dos sorotipos da dengue. Além disso, teve um problema de segurança. Em pessoas sem ter tido a infecção, quando foram contaminadas apresentaram um quadro mais grave, por isso mudou a orientação. Mesmo se não tivessem essas questões, a faixa etária limitada já seria um problema. Então é extremamente necessário a obtenção de novas estratégias vacinais para a doença”, diz a especialista.

Novos imunizantes, porém, estão próximos. O Instituto Butantan, em São Paulo, caminha para os últimos estágios dos testes clínicos de uma candidata desenvolvida em parceria com os Institutos Nacionais de Saúde (NIH), dos EUA, que se mostrou promissora nas primeiras etapas. Além disso, a própria vacina da Takeda pode chegar ao país em breve.

A Anvisa disse que foram solicitadas mais informações ao laboratório durante a análise, mas que neste momento há apenas uma exigência em aberto. “A reposta do laboratório é necessária para o seguimento e conclusão da análise técnica”, afirmou a agência em nota. As informações são do jornal O Globo.

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