Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 14 de setembro de 2015
A greve nas universidades federais, o corte de 10,2 bilhões de reais no Orçamento e as disputas políticas dificultam a gestão do ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, há cinco meses no posto. Além da possibilidade de ter seu comando alterado na reforma administrativa em estudo, a pasta tornou-se palco de disputa por espaço entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante.
Em conversa com aliados, Janine tem reclamado da falta de autonomia e da influência da Casa Civil. Segundo assessores, há interferência do ex-titular da pasta em temas como a paralisação de docentes e o Ciência sem Fronteiras. O ministro nega ter feito a crítica, mas as queixas foram confirmadas por cinco interlocutores.
Mercadante deixou o MEC (Ministério da Educação) em 2014, mas manteve um aliado: o secretário-executivo Luiz Cláudio Costa, com quem despacha semanalmente. Também mantém entre seus auxiliares dois ex-secretários do ministério.
Para marcar posição, Lula indicou para a chefia de gabinete de Janine um assessor próximo, o ex-secretário-executivo do Ministério das Comunicações Cezar Alvarez. Janine assumiu o comando da pasta em abril, após a saída conturbada do ex-governador do Ceará Cid Gomes. Professor de filosofia da USP (Universidade de São Paulo), seu nome teve o apoio do ex-presidente Lula, insatisfeito com o poder de Mercadante.
Com o agravamento da crise política, no entanto, a presidenta Dilma Rousseff estuda tirar Mercadante da Casa Civil. Segundo ministros e assessores, ela considera colocá-lo no lugar de Janine. Cid esteve à frente do MEC por pouco mais de dois meses. Lançou ideias como o Enem digital e a capacitação para os diretores de escolas públicas.
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