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Carlos Roberto Schwartsmann Doutor, volta para mim

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(Foto: Freepik)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Ondes estás meu caro doutor?! Continuo lhe procurando sem te encontrar.

Acho que o Senhor mudou muito e me fez lembrar vagamente aquele doutor de antigamente!

Venho me queixar novamente, pois aqui estou na sua frente. Reafirmo que o senhor não sai da minha mente. Escute minhas queixas com atenção e não me venha imediatamente com nova prescrição.

Estar na sua frente me fascina. Nunca fui adepto da telemedicina. Na distância, na “telinha” não existe seu cheiro, seu perfume, seu odor. Muito, muito menos seu calor!

Gosto de apertar a sua mão, impossível na televisão.

Doutor o senhor está estranho, onde está seu avental branco? Usando calça jeans rasgada e camisa desbotada. Que decepção! Onde está o seu sapato?! O tênis acho que não é boa opção. Onde foi parar a sua postura, liturgia e imposição.

Desculpas, esquece isso! Doutor olha para mim! Olha para mim! Não precisa dizer nada, só olha para mim por alguns segundos. Tira o olho do computador. Só para o seu conhecimento ele atrapalha nosso relacionamento.

Hipócrates já dizia que o segredo desta arte é: “Ouvir, observar e tocar”. Me escuta, presta atenção no que eu estou dizendo. Procura entender minhas queixas! Me toca, me examina, esta é a verdadeira medicina!

Este monte de exames são necessários?! São parecidos até na grafia. Todos terminam em “ia” (tomografia, ecografia, cintilografia, densitometria…) Lembro que os médicos antigos diziam que a “clínica é soberana”. Ela foi deposta, exonerada?!

Exame complementar é complemento para o diagnóstico que tem como base a anamnese e o exame clinico. Estes exames são demorados, frios, chatos e caros.

Às vezes fico pensando: quem paga tudo isso? Se eles podem ter diferentes interpretações, o senhor não acha que estamos sendo iludidos?
Meu caro doutor tudo isso acima não importa!

Quando o senhor me escuta, me toca e me examina, gera no meu peito uma relação de carinho, empatia e confiança. É por isso que estou aqui. Volta para mim!

Carlos Roberto Schwartsmann

Médico e professor universitário

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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José Raphaelli
9 de agosto de 2023 12:07

Isto que o Dr Carlos escreveu, nada mais é do que um sentimento verdadeiro, humano, máquinas são nescessárias, na medicina, apenas um complemento, neste mundo gelado em que vivemos, com falsos calores, ao menos se os médicos voltassem para nós, já seríamaos menos infelizes, parabéns Dr pela sua sensibilidade!

José Costa
9 de agosto de 2023 12:22

Dr Carlos é nota 10.

Fernando Krause
9 de agosto de 2023 17:03

Sempre sábias e “cirúrgicas” as colocações do Dr.Prof. Parabéns!

Antonio Borba
9 de agosto de 2023 21:35

Tudo muito bem colocado. Só não entendi porque para um médico usar tênis não é uma boa opção. Não entendi porque em um texto que prega a aproximação do médico ao paciente exija dele um código de vestimenta tão distante da maioria da população de nosso país

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