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Notícias Eleitores de Lula não querem plano B, só “plano L” e apontam falhas na esquerda

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Ex-presidente Lula tem fieis seguidores. (Foto: Reprodução)

Não existe plano B ou C. Só existe “plano L”. L de Lula. É o que apontaram dez eleitores do petista em São Paulo, representantes de variadas crenças – ou não -, de evangélica a ateu, da faixa etária dos 21 aos 62 anos, durante debate promovido pelo jornal Folha de S.Paulo, que buscou informações sobre os motivos pelos quais eles apostam tanto no PT.

Todos disseram que não arredam pé de apoiar Lula naquela que, se a Justiça permitir sua candidatura, será sua tentativa de reaver a faixa presidencial — conquistou-a em 2002 e 2006 depois de três tentativas frustradas.

Admitir uma alternativa ao ex-presidente, disse o advogado Geovani Doratiotto, 28 anos, “é acreditar que o que aconteceu com Lula é o correto, o justo”. E isso o grupo não está disposto a tolerar.

Mas é preciso que o partido fique esperto, pois “a direita é boa de bordões que colam no povo, vide ‘bandido bom é bandido morto’”, afirmou a educadora social Rachel Daniel, 22 anos.

Os dois maiores espinhos judiciais contra Lula, o sítio em Atibaia (ainda em julgamento) e o tríplex no Guarujá são tratados como “falhas mínimas” perto do que se vê em Brasília. Se Lula tombar por conta deles, a Justiça vestirá de vez a carapuça política, mandando a isenção que se requer dos togados às favas, afirmaram seus apoiadores.

Alexandre Leone, 21 anos, sequer trocou o DDD para o 11 paulistano no número de celular: o soteropolitano já bacharel em Humanidades chegou há um mês à capital do Estado para estudar na Faculdade de Direito da USP, por onde já passaram 13 presidentes (Michel Temer entre eles) e petistas como Fernando Haddad.

Decano, o servidor público Paulo Drads, 62 anos, se introduz como “um caipira de Mariápolis [SP]”. Sua formação política coincide com a de Lula: os dois trabalharam na Aço Villares, em São Bernardo do Campo.

A exaltação de programas sociais como o Bolsa Família é unânime. No grupo, tem os que de fato recorreram a eles em algum momento da vida. Caso da engenheira agrônoma Mariana Martins, 33 anos. Primeira universitária de sua família, ela contou que sempre precisou de assistência do governo, até para ir ao dentista.

O estudante de direito Gabriel Berê Motta, 23 anos, “típico paulistano de classe média”, que estudou no “ultratradicional Dante Alighieri” (hoje, a mensalidade beira os R$ 3.600 para o ensino médio). “A minha percepção veio da minha criação.”

O temor pelo futuro do PT e de seu ícone encarcerado é um cálice que eles tentam afastar. “Dá pra sentir que [a prisão de Lula] poderia ter sido a última pá, mas jogaram uma pedra na colmeia”, diz a professora da rede municipal Luciana Nascimento, 39 anos. “Deu sangue no olho da esquerda.”

Lula até o fim

O grupo se nega a discutir um substituto caso o nome do ex-presidente fique de fora das urnas. “Falar agora que tem plano B só tem duas consequências”, afirmou Gabriel.

Uma delas seria “naturalizar a condenação de Lula”, vista por ele como injusta.

A segunda: colocar na linha de fogo outros quadros do partido. Mais visíveis, os candidatos estariam vulneráveis a pedradas político judiciais dos oponentes.

Seria bom ter uma frente de esquerda para não fragmentar o voto em outubro — mas desde que o partido de Lula encabece a chapa presidencial, dizem os eleitores. “O PT é estruturado, tem proposta”, afirmou a funcionária pública Sandra Birman, 56 anos.

A questão posta: para 2018 ou depois, quem melhor cuidaria do espólio lulista?

O líder do MTST e presidenciável do PSOL, Guilherme Boulos, é benquisto — mas pediram calma, que “a hora dele ainda vai chegar”.

O grupo também discutiu dois petistas ventilados como possíveis candidatos, caso o “plano L” caia. Citado pela Folha, o ex-governador Jaques Wagner foi virtualmente ignorado.

Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo, foi recebido com frieza. Ótimo gestor, mas não teria o que é preciso para uma eleição nacional.

Ciro Gomes

“Ciro Gomes aposta que o PT correrá para seus braços para evitar fiasco eleitoral”, dizia a notícia da colunista da Folha Mônica Bergamo no mesmo dia em que os eleitores de Lula foram à Redação do jornal. Bom, se depender deles, o presidenciável do PDT está em apuros.

Primeiro porque Ciro nem é tão de esquerda assim, dizem. “Não consigo confiar que é de esquerda. Por que não quer se associar [a Lula]?”, questionou Mariana.

Efeito Bolsonaro

O segundo turno, para o grupo, reprisará o embate que se repete desde 1994: o candidato do PT versus o do PSDB (Geraldo Alckmin, no caso). Mas Jair Bolsonaro assusta. Pode ser “um acidente de percurso”, tal qual Donald Trump nos EUA, disse Paulo.

Luciana contou que muitos amigos evangélicos vão marcá-lo nas urnas, pois olham da direita de Alckmin à esquerda de Lula e só veem candidatos chamuscados por denúncias de corrupção.

 

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