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Esporte Ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol quer ficar em prisão domiciliar nos Estados Unidos

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Em agosto do ano passado, a Justiça dos Estados Unidos condenou Marin a 48 meses de prisão. (Foto: Tomaz Silva/ABr)

Notificada de que o pedido de extradição para os Estados Unidos foi formalizado, a defesa do ex-presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) José Maria Marin agirá em duas frentes para evitar que o cartola seja transferido para uma prisão em Nova York. Os advogados na Suíça entrarão com recurso na Justiça pedindo que a extradição seja barrada. Em paralelo, os dois escritórios contratados nos EUA negociarão um acordo para que Marin pague multas e cumpra prisão domiciliar em seu apartamento em Nova York ou no Brasil.

O governo norte-americano formalizou na quarta-feira o pedido de extradição do brasileiro e dos outros seis dirigentes presos na Suíça no dia 27 de maio, durante um congresso da Fifa (entidade máxima do futebol). As detenções foram feitas a pedido do Departamento de Justiça dos EUA, que acusa os cartolas de integrarem um esquema de cobrança de propina em acordos de transmissão de torneios, como Copa América e Copa do Brasil. A estratégia de defesa na Suíça para evitar a extradição de Marin se sustenta em três argumentos.

A primeira alegação é a de que as acusações do governo norte-americano se baseiam no crime de conspiração, que não é previsto na legislação brasileira e está incluído apenas em parte no código penal suíço. Uma das condições para a Suíça aprovar a extradição é que o crime pelo qual a pessoa é acusada esteja previsto na legislação do país.

Outro ponto defendido pelos advogados do cartola é a fragilidade das provas. Eles citam que, no pedido de extradição, não há revelações concretas de que o dirigente cometeu os crimes. Para a defesa, os argumentos são ilações com base em delações de outros cartolas.

Por fim, será defendido que a idade de Marin – 83 anos – não permite que ele fique preso na penitenciária de Nova York, no Brooklyn, bairro da cidade norte-americana onde tramita o processo contra ele. O prazo que Marin e os outros seis cartolas têm para se manifestar é de 14 dias, prorrogáveis por mais 14. O dirigente também será chamado para depor – será a primeira vez que ele será ouvido pela Justiça a respeito das acusações.

Duas instâncias

Caso a Justiça suíça decida pela extradição, há mais duas instâncias às quais a defesa do cartola estuda apelar: a Corte Federal Criminal e, depois, a Suprema Corte do país. Ao mesmo tempo em que a defesa de Marin na Suíça apelará, os dois escritórios contratados nos EUA tentarão um acordo com o governo norte-americano a fim de evitar que ele fique preso no país.

Esse acerto prevê que Marin pague uma multa e responda ao processo em prisão domiciliar. O trato será discutido com o procurador de Justiça do Brooklyn. Se o governo dos EUA acenar com simpatia – e dependendo do valor da multa –, a ideia é fazer o acordo.

Neste caso, Marin poderia ficar em seu apartamento em Nova York, com trânsito delimitado dentro dos EUA. Os advogados do cartola projetam pedir até que ele responda ao processo em prisão domiciliar no Brasil.

Quatro advogados

Para sua defesa no processo, Marin conta com quatro advogados – dois baseados na Suíça e dois nos EUA. O custo com os escritórios já chega a 1,9 milhão de reais.
Na Suíça, quem comanda a defesa é Georg Friedli, renomado advogado do país europeu. Especializado em acordos de cooperação internacional, ele é sócio do escritório Friedli & Schnidrig, da cidade de Berna, onde o caso de Marin é conduzido.

Friedli conta com o apoio de outro advogado no país: Rudolf Wyss. Os honorários dos dois foram acertados por intermediários da família do ex-presidente da CBF e custam 1 milhão de reais. Friedli e Wyss foram contratados para evitar que Marin seja extraditado para os EUA.

Os outros dois escritórios norte-americanos acionados estudam alternativas jurídicas para que Marin não seja preso no país. Estes advogados cobram 935 mil reais.

Fonte de renda

Como presidente da CBF, cargo que ocupou até abril deste ano, Marin recebia 200 mil reais por mês. Atualmente, ele não tem nenhuma fonte de renda no mundo do futebol, porque, em razão da prisão, foi afastado dos cargos que tinha na CBF e na Conmebol, a Confederação Sul-Americana de Futebol.

Investigações

Marin é acusado pelo Departamento de Justiça norte-americano de fraude, lavagem de dinheiro e conspiração envolvendo recebimento de propina. As investigações tiveram o apoio do FBI (a polícia federal norte-americana). (Bernardo Itri/Folhapress)

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