Terça-feira, 07 de Julho de 2020

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Mundo Ex-presidente do Chile e agora representando a ONU, Michele Bachelet se diz chocada com o tratamento dos Estados Unidos a imigrantes e refugiados

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"Deter uma criança, ainda que por períodos curtos e em boas condições, pode ter um impacto grave em sua saúde e seu desenvolvimento", acrescentou Bachelet.

A comissária de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas), Michelle Bachelet, está “chocada” com as condições nas quais os Estados Unidos estão mantendo migrantes e refugiados detidos, inclusive crianças, disse seu escritório em um comunicado nesta segunda-feira (8).

“Como pediatra, mas também como mãe e ex-chefe de Estado, estou profundamente chocada que crianças sejam forçadas a dormir no chão em instalações superlotadas, sem acesso adequado a cuidados de saúde ou alimentação, e com condições de saneamento ruins”, disse Bachelet.

O presidente dos EUA, Donald Trump, fez da repressão à imigração um dos pilares de seu governo e de sua campanha de reeleição para 2020.

Parlamentares democratas, de oposição, e ativistas de direitos civis que visitaram centros de detenção de imigrantes ao longo da fronteira entre EUA e México descreveram um cenário de pesadelo, marcado pela superlotação e pelo acesso inadequado a alimentação, água e outras necessidades básicas.

Na semana passada, o inspetor-geral do Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) publicou fotos de centros de acolhimento de imigrantes do Vale do Rio Grande, no Texas, com o dobro de pessoas para os quais foram construídos.

“Na maioria destes casos, os imigrantes e refugiados embarcaram em jornadas perigosas com seus filhos em busca de proteção e dignidade e longe da violência e da fome”, disse Bachelet.

“Quando finalmente acreditam que chegaram em segurança, podem se ver separados de seus entes queridos e trancafiados em condições indignas. Isto nunca deveria acontecer em lugar nenhum”.

A privação da liberdade de adultos deveria ser uma medida de último caso e durar o menor tempo possível, com salvaguardas legais e condições que cumprem padrões internacionais de direitos humanos, afirmou.

Deter uma criança, ainda que por períodos curtos e em boas condições, pode ter um impacto grave em sua saúde e seu desenvolvimento, acrescentou Bachelet.

“O controle fronteiriço… não deveria se basear em políticas estreitas que visam somente detectar, deter e deportar rapidamente imigrantes irregulares.”

Más condições

Desde que a patrulha de fronteira inaugurou um posto de migrantes em Clint, no Texas, em 2013, ele se tornou uma atração nessa cidade agrícola no Oeste do Texas. Separado dos campos de algodão e das pastagens ao redor por uma cerca de arame farpado, o posto fica na rua principal da cidade.

A maioria das pessoas na área de Clint tinha pouca ideia do que acontecia lá dentro. Agentes entravam e saíam em caminhonetes; ônibus chegavam aos portões às vezes carregados de crianças apreendidas na fronteira, 6,5 quilômetros ao sul. Mas dentro do local sigiloso, que de repente está na linha de frente da crise na fronteira sudoeste dos Estados Unidos, homens e mulheres que trabalham ali enfrentavam verdadeiros pesadelos.

Surtos de sarna, herpes e varicela se espalhavam entre as centenas de crianças que eram mantidas em celas apertadas, disseram agentes. O mau cheiro era tão forte que se espalhava para as roupas dos funcionários. As crianças choravam constantemente.

Uma garota parecia estar inclinada a se matar, tanto que os agentes a fizeram dormir em uma cama dobrável na frente deles, para que pudessem observá-la enquanto processavam os recém-chegados.

A instalação pouco conhecida da patrulha de fronteira em Clint tornou-se repentinamente a face pública do caos na fronteira sul dos Estados Unidos depois que advogados de imigração começaram a relatar as condições de imundice e superlotação em que crianças eram mantidas.

Os líderes da corporação, incluindo Aaron Hull, o agente-chefe no setor de El Paso, contestaram as denúncias de condições degradantes nos centros de detenção de imigrantes em Clint e outros na região de El Paso, afirmando que as instalações são administradas de maneira rigorosa e humana.

Mas uma análise das operações do posto de Clint mostra que a liderança da agência sabia há meses que algumas crianças não tinham camas para dormir, não tinham como se limpar e às vezes passavam fome.

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