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Brasil Ex-procurador-geral Rodrigo Janot afirma que planejou matar Gilmar Mendes e depois cometer suicídio

Ministro Gilmar Mendes e ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot. (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

Nesta quinta-feira (26) o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot afirmou que, um dia, entrou no Supremo Tribunal Federal (STF) armado com uma pistola com a intenção de matar o ministro Gilmar Mendes, devido insinuações que ele fez sobre a filha de Janot em 2017. “Não ia ser ameaça, não. Ia ser assassinato mesmo. Ia matar ele [Gilmar] e depois me suicidar”, declarou em entrevista para o jornal O Estado de S. Paulo.

O ex-procurador narra o episódio no livro de memórias que está lançando neste mês, sem nomear Mendes, mas confirmou a identidade do ministro ao ser questionado. “Tenho uma dificuldade enorme de pronunciar o nome desta pessoa”, disse. O motivo seria uma desavença entre os dois durante a análise de um habeas corpus do empresário Eike Batista. Em maio de 2017, como procurador-geral, Janot pediu a suspeição de Gilmar Mendes em casos do empresário, que se tornou alvo da Lava-Jato e era defendido pelo escritório de advocacia do qual a esposa do ministro, Guiomar Feitosa Mendes, é sócia.

Na época, Mendes reagiu levantando suspeitas sobre a atuação da filha do procurador, Letícia Ladeira Monteiro de Barros, que é advogada e representou a empreiteira OAS no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Segundo Gilmar, a filha do ex-PGR poderia “ser credora por honorários advocatícios de pessoas jurídicas envolvidas na Lava-Jato”. “Foi logo depois que eu apresentei a sessão (…) de suspeição dele no caso do Eike. Aí ele inventou uma história que a minha filha advogava na parte penal para uma empresa da Lava-Jato. Minha filha nunca advogou na área penal… e aí eu saí do sério”, declarou para o jornal.

Na entrevista, Janot disse que seu plano era matar Gilmar Mendes antes do início da sessão no plenário do STF: “ele estava sozinho. Mas foi a mão de Deus. […] Cheguei a entrar no Supremo. Ele estava na sala, na entrada da sala de sessão. Eu vi, olhei, e aí veio uma “mão” [de Deus] mesmo”. O ex-procurador disse que não entrou no plenário do tribunal armado e que pediu ao vice-procurador-geral da República para o substituir na sessão do Supremo, pois ele estaria se sentindo mal. Janot relatou à reportagem que a relação que tinha com Gilmar já não era boa e, após o episódio, preferiu cessar o contato.

Em entrevistas à revista Veja e ao jornal O Estado de São Paulo, Janot acrescentou que, depois de matar Gilmar Mendes, pretendia cometer suicídio. Conforme o relato do ex-procurador, que se aposentou em abril deste ano e voltou à advocacia, o episódio ocorreu perto do fim do seu segundo mandato à frente da Procuradoria-Geral da República, que ele chefiou por quatro anos.

Em seu livro de memórias, “Nada Menos que Tudo”, escrito com a colaboração dos jornalistas Jailton de Carvalho e Guilherme Evelin, Janot faz um balanço de sua atuação à frente da Operação Lava Jato e rebate as críticas que recebeu durante sua gestão.

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