Quinta-feira, 04 de Março de 2021

Porto Alegre
Porto Alegre
25°
Cloudy

Tecnologia Google e Facebook fizeram acordo secreto na área de anúncios digitais. Entenda o caso

Compartilhe esta notícia:

Google: acordo com Facebook deu vantagens a ambas as empresas no setor de anúncios na internet. (Foto: Reprodução)

Em 2017, o Facebook revelou que estava testando uma nova maneira de vender publicidade on-line que ameaçaria o controle do Google sobre o mercado de anúncios digitais. Mas, menos de dois anos depois, o Facebook deu meia-volta e disse que estava se juntando a uma aliança de empresas que apoiavam um esforço semelhante do Google.

O Facebook nunca disse por que desistiu de seu projeto, mas as evidências apresentadas em um processo antitruste movido por dez procuradores-gerais de estados americanos no mês passado indica que o Google ofereceu ao Facebook, seu rival mais próximo em no setor de publicidade digital, um excelente acordo para ser seu parceiro.

Os detalhes do acordo, baseados em documentos que o gabinete do procurador-geral do Texas disse ter descoberto como parte do processo, foram apresentados na queixa apresentada no tribunal federal do Texas no mês passado. Mas eles não foram ocultados em uma versão preliminar do processo, vista pelo New York Times.

Executivos de seis das mais de 20 empresas parceiras da aliança com o Google disseram ao NYT que seus acordos com a gigante de buscas não incluíam muitos dos termos generosos que o Facebook recebeu, obtendo uma vantagem significativa sobre o resto deles.

Outros aliados ficaram de fora

Os executivos, que falaram sob condição de anonimato para evitar prejudicar suas relações comerciais com o Google, também disseram não saber que o Google concedeu tais vantagens ao Facebook. A clara disparidade no modo como suas empresas eram tratadas pelo Google em comparação com o Facebook não havia sido relatada antes.

A divulgação do acordo entre a duas gigantes da tecnologia renovou as preocupações sobre como as maiores empresas do setor se unem para eliminar a concorrência. Os acordos costumam definir vencedores e perdedores em vários mercados de serviços e produtos de tecnologia. Eles são detalhados em particular, com os termos cruciais do negócio ocultos por meio de cláusulas de confidencialidade.

O Google e o Facebook disseram que esses acordos são comuns na indústria de publicidade digital e que não impedem a concorrência.

Julie Tarallo McAlister, porta-voz do Google, disse que a reclamação “deturpa este acordo, assim como muitos outros aspectos de nosso negócio de tecnologia de publicidade”. Ela acrescentou que o Facebook é uma das muitas empresas que participam do programa liderado pelo Google e que o Facebook é parceiro em alianças semelhantes com outras empresas.

Christopher Sgro, porta-voz do Facebook, disse que acordos como o do Google “ajudam a aumentar a competição em leilões de anúncios”, o que beneficia anunciantes e editores. “Qualquer sugestão de que esse tipo de acordo prejudica a concorrência é infundada”, disse ele.

O Google e o Facebook se recusaram a entrar em detalhes sobre os detalhes de seu acordo.

A onda de recentes casos antitruste movidos contra o Google e o Facebook lançou um holofote sobre negócios lucrativos entre as Big Techs. Em outubro, o Departamento de Justiça processou o Google mencionando um acordo com a Apple para apresentar o Google como o mecanismo de busca pré-selecionado em iPhones e outros dispositivos.

“Esta ideia de que as principais plataformas de tecnologia estão competindo fortemente umas com as outras é muito exagerada”, disse Sally Hubbard, ex-procuradora-geral assistente do escritório antitruste de Nova York e que agora trabalha no Open Markets Institute, uma consultoria de estudos. “De muitas maneiras, elas reforçam o poder mútuo dos monopólios.”

O Google e o Facebook foram responsáveis por mais da metade de todos os gastos com publicidade digital em 2019. Além de exibir anúncios em suas próprias plataformas, como no mecanismo de pesquisa do Google e na página inicial do Facebook, sites, desenvolvedores de aplicativos e editores contam com as empresas para garantir a publicidade para suas páginas.

Publicidade programática

O acordo entre o Facebook e o Google, de codinome “Jedi Blue” dentro do Google, diz respeito a um segmento crescente do mercado de publicidade on-line chamado publicidade programática. A publicidade on-line arrecada centenas de bilhões de dólares em receita global a cada ano, e a compra e venda automatizada de espaços publicitários responde por mais de 60% do total, segundo estudos.

Nos milissegundos entre o clique de um internauta em um link de uma página da web e o carregamento dos anúncios dessa página, os lances para o espaço de anúncios disponível são colocados nos bastidores em marketplaces conhecidos como de trocas (exchanges), com o lance vencedor passado para um servidor de anúncios.

Como os serviços de marketplace e de servidores de anúncios do Google eram os dominantes, muitas vezes o esquema direcionava os negócios para seu próprio negócio de publicidade.

Com isso, um método chamado “lances de cabeçalho” (header bidding) surgiu, em parte como uma solução alternativa para reduzir a dependência das plataformas de anúncios do Google.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Tecnologia

A Apple obtém economia bilionária ao vender o iPhone sem carregador
Fórum da Liberdade discutirá o impacto das mídias sociais na liberdade de expressão
Deixe seu comentário
Pode te interessar