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Colunistas Governo disfuncional

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Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Não bastassem os defeitos próprios, aqueles que só ele tem, e que não são poucos, o governo Bolsonaro exibe um dos desacertos mais comuns do setor público: ele não se ocupa de melhorar o desempenho diário, as rotinas administrativas, de modo a oferecer ao distinto público um serviço eficaz e de qualidade.

Depois da redemocratização, o único governo que se ocupou de algum modo com a eficiência dos serviços públicos foi o de FHC. Faltou-lhe, porém, intensidade e persistência.

Nos governos do PT nada avançou. A esquerda no poder usa uma régua baixa de exigência e qualidade. Eficiência, produtividade são valores burgueses, dizem; detalhes de pouca importância. A esquerda tem mais apego ao discurso feito de estatísticas gordas (muitas vezes infladas) de suas realizações. As 18 universidades que Lula se gaba de ter criado, são instituições feitas às pressas, ligeiras guaribadas de campus mal ajambrados, laboratórios sem equipamentos, escolas sem professores. São universidades no papel; na vida real não merecem esse nome.

O governo Bolsonaro não dá nenhum sinal de que está se ocupando da questão. Há quase dois milhões de brasileiros esperando a tramitação de benefícios do INSS – não há funcionários suficientes para processá-los. O governo cogita de arranjos improvisados, como forças-tarefas e convocação de militares aposentados, para normalizar os pleitos: em cálculo barato levará um ano para botar o serviço em dia.

No programa Bolsa Família há pelo menos 500 mil pedidos de concessão represados. E no ENEM-SISU as barbeiragens se multiplicam, erros primários, comprometendo a confiabilidade do sistema. Aqui, as falhas têm a cara do ministro Weintraub, que lança desaforos a granel contra os adversários, fala grosso contra a esquerda, comete seguidos atentados contra o idioma, mas não dá conta de fazer direito o dever de casa, nas atividades que lhe dizem respeito.

O governo prefere exaltar o declínio da criminalidade, a inflação baixa, a queda de juros, a (lenta) recuperação do nível de emprego, o retorno de um certo grau de confiança na economia – avanços que já apresentavam sinais firmes de consistência no governo conturbado de Temer.

O que esperar de um governo que tem como guru o filósofo(?) Olavo de Carvalho – de quem inventaram um trocadilho meio infame de “Orvalho de Cavalo”? De um governo que cultiva – ao que parece sinceramente – a crença de que as nossas mazelas se devem ao “socialismo” dos governos anteriores? Tudo no governo é rude, infenso ao estágio das experiências de modernidade e civilização que nos trouxeram até esta parte. Não surpreende que ele abrigue nos seus quadros até gente que acredita que a terra é plana.

O governo opera mal tudo que depende dele. O ministro Paulo Guedes, que poderia coordenar um conjunto de ações destinadas a fazer o governo funcionar, só se ocupa da macroeconomia, do desmonte das instituições do Estado, de denunciar as mazelas do estatismo (que de fato existem), mas não tem nada a propor para botar no lugar.

titoguarniere@hotmail.com

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
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Jorge Luiz Teixeira Ribeiro
8 de fevereiro de 2020 11:16

Boa avaliação, concordo plenamente, na pratica continuamos na mesma, gasolina cara, custo de vida nas alturas e desemprego, o avanço muito lento, 2022 logo estara ai.

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