Quarta-feira, 12 de Agosto de 2020

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Polícia Homicídios no Rio Grande do Sul caem 21,9% em junho e fecham semestre abaixo de mil pelo segundo ano seguido

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Trabalho integrado das forças de segurança intensificou ações repressivas em áreas conflagradas por organizações criminosas

Foto: Rodrigo Ziebell/SSP
Trabalho integrado das forças de segurança intensificou ações repressivas em áreas conflagradas por organizações criminosas. (Foto: Rodrigo Ziebell/SSP)

Mesmo diante dos menores índices de criminalidade da última década, alcançados no ano passado, o Rio Grande do Sul conseguiu aprofundar as reduções no primeiro semestre de 2020.

Com a retração de 21,9% no número de homicídios em junho, na comparação com o mesmo mês de 2019, o total acumulado na primeira metade deste ano também fechou em queda, de 8,7%.

Divulgados pela SSP (Secretaria da Segurança Pública) nesta quinta-feira (09), os indicadores de criminalidade mostram ainda que os crimes patrimoniais continuam em franco declínio.

Enquanto houve 987 vítimas de assassinato no RS nos primeiros seis meses do ano passado, foram 901 no semestre inicial de 2020, mantendo o acumulado no período abaixo de 1 mil pelo segundo ano consecutivo, o que não ocorria desde 2011, que teve 870 óbitos.

A redução na leitura isolada de junho teve importante contribuição para o resultado no acumulado semestral. O total de vítimas passou de 160 para 125, o menor para o mês desde 2009, quando foram 123 mortes.

Entre esses 125 óbitos em junho no RS, 16 foram de presos que tiveram liberdade concedida pelo Judiciário – 12,8% do total. Caso essas mortes não tivessem ocorrido, a retração nos homicídios frente a junho do ano passado teria sido ainda maior, de 31,9%.

As libertações ocorrem durante a vigência da recomendação nº 62 do Conselho Nacional de Justiça, que “recomenda aos tribunais e magistrados a adoção de medidas preventivas à propagação da infecção pelo novo coronavírus [Covid-19] no âmbito dos sistemas de justiça penal e socioeducativo”. Desde março, chega a 56 o número de detentos soltos e que acabaram assassinados, 47,4% acima dos 38 mortos após soltura no mesmo período de 2019.

Fora esse ponto, a pandemia da Covid-19, que nos crimes patrimoniais tem mostrado efeito redutor, não tem grande influência sobre os assassinatos. Em abril e maio, quando a retomada de atividades proporcionada pelo modelo de distanciamento controlado não havia sido tão intensa quanto em junho, o indicador teve altas.

De acordo com a delegada Vanessa Pitrez, diretora do DHPP (Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa da Polícia Civil), a redução dos homicídios em junho reflete a intensificação do trabalho integrado entre as forças de segurança da SSP em áreas conflagradas, o que possibilitou ampliar as prisões de suspeitos de assassinato.

“A partir da observância de leve crescimento nos índices nos meses anteriores, a Polícia Civil e a Brigada Militar aumentaram a saturação em áreas afetadas pela guerra do tráfico, que notadamente ocasiona homicídios. Ainda em maio, diante de aumento apresentado já nos primeiros dias daquele mês, foi deflagrada pelo DHPP a Operação Maio Vermelho. Com apoio da BM, logramos êxito em estancar a disputa entre duas organizações criminosas sediadas em Porto Alegre por meio da prisão de autores de homicídios que elas patrocinavam. A partir daí, as ações repressivas se ampliaram em junho, quando, só em Porto Alegre, a Polícia Civil efetuou a prisão de 66 pessoas com envolvimento em assassinatos”, comenta a delegada.

Foi essa intensificação do trabalho integrado das polícias que permitiu zerar os casos de homicídio em alguns dos mais populosos municípios do Estado em junho. Canoas, Pelotas e Gravataí – terceira, quarta e sexta cidades no ranking de habitantes do RS, conforme a estimativa populacional do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) – encerram o sexto mês do ano sem nenhum registro de assassinato. Novo Hamburgo, sétimo município em número de moradores, teve apenas um caso.

A estratégia é desdobramento do plano traçado pelo Programa RS Seguro, que em seu Eixo 1 orienta o combate à criminalidade onde ela mais se faz presente. Os indicadores comprovam que o trabalho de inteligência, integração e investimento qualificado nos 18 municípios até então priorizados puxaram as reduções no quadro geral.

A Capital, que integra o grupo, foi a cidade com maior queda absoluta nos homicídios na comparação dos primeiros semestres de 2019 e 2020, com 26 mortes a menos. O número de vítimas caiu de 175 para 149 (-14,9%), o menor total para o período desde 2010.

Latrocínios têm queda de 12,8% no semestre

Além de menos homicídios, o primeiro semestre de 2020 também representou a redução dos roubos com morte no RS. Na comparação com igual período do ano passado, a queda foi de 12,8% – o número de casos no período caiu de 39 para 34.

É o menor acumulado desde 2009, quando houve 29 latrocínios nos seis primeiros meses. Em junho, houve sete ocorrências, duas a mais (40%) do que no mesmo mês de 2019, mas o total ainda é o segundo mais baixo desde 2012.

Roubo de veículos em junho é o menor da história para o mês

Além das significativas baixas nos crimes contra a vida, o primeiro semestre de 2020, com mais da metade do período já sob a influência da pandemia do novo coronavírus, encerrou com marcas inéditas entre os delitos patrimoniais.

Um dos destaques positivos foi a redução de 19,8% nos roubos de veículos em relação aos primeiros seis meses de 2019, passando de 6.045 ocorrências para 4.850 – 1,1 mil casos a menos.

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