Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 8 de junho de 2021
Um grupo de 70 indígenas ocupou na tarde desta terça-feira (8) a cúpula do Congresso Nacional, em protesto contra a tramitação de um projeto de lei que entendem ameaçar terras que já foram demarcadas.
A proposta tem o apoio da bancada ruralista e estava na pauta da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) desta terça, mas não chegou a ser apreciada. Os indígenas condicionaram deixar o Congresso à retirada do projeto da pauta, o que acabou ocorrendo.
Entidades como o Conselho Indigenista Missionário, o Cimi, entendem que o texto abre as terras indígenas para a exploração econômica predatória e inviabiliza, na prática, novas demarcações.
Garimpeiros
Garimpeiros atacaram com bombas de gás a comunidade Maikohipi, na região de Palimiú, alvo de conflitos na Terra Indígena Yanomami. A informação foi divulgada pela Hutukara Associação Yanomami (HAY).
Até o momento, não há informações sobre feridos. O ataque aconteceu na madrugada do último dia 5. Indígenas que vivem em Maikohipi, relataram que o grupo de garimpeiros chegou dividido em quatro barcos, invadiu a comunidade e atirou as bombas que “que soltavam gás e fazia arder os olhos”.
A região fica às margens do rio Uraricoera, em Alto Alegre, Norte de Roraima, e é rota usada por garimpeiros que entram ilegalmente na Terra Yanomami. No dia 10 de maio, invasores à bordo de um barco, abriram fogo contra a comunidade Palimiú, próxima à Maikohipi, e a partir daí houve uma sucessão de ataques.
O relato das lideranças indígenas foi repassado à Hutukara por telefone. Na segunda-feira (7), foi encaminhado um ofício com pedido de segurança à Fundação Nacional do Índio (Funai), Polícia Federal, Exército e Ministério Público Federal.
O documento, assinado pelo vice-presidente da HAY, Dário Kopenawa Yanomami, afirma que relato dos indígenas protesta contra a situação de insegurança vivida na região por conta da presença na Terra Yanomami, apesar de todos os avisos.
“Diante disso, mais uma vez, insistimos para que continuem atuando para impedir o avanço da atividade ilegal e a consequente espiral de violência, para garantir a segurança às comunidades indígenas no Palimiu, e na Terra Indígena Yanomami, com a presença constante das forças públicas de segurança e fornecimento contínuo de apoio logístico para operações”, pede a HAY no documento.
Maior reserva indígena do Brasil, a Terra Yanomami tem quase 10 milhões de hectares entre os estados de Roraima e Amazonas. Cerca de 27 mil indígenas vivem na região, alvo de garimpeiros que invadem a terra em busca da extração ilegal de ouro.
Em 2020, o ano da pandemia, o garimpo ilegal avançou 30% na Terra Yanomami. Só o rio Uraricoera concentra 52% de todo o dano causado pela atividade ilegal.
A invasão garimpeira causa a contaminação dos rios e degradação da floresta, o que reflete na saúde dos Yanomami, principalmente crianças, que enfrentam a desnutrição por conta do escasseamento dos alimentos.
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