Terça-feira, 04 de Agosto de 2020

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Edson Bündchen Liderança para tempos incertos

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Nações e empresas do mundo todo estão carentes de boas lideranças. Com um cenário incerto pela frente, os líderes terão a desafiadora missão de conduzir seus seguidores tendo pouca luz a sinalizar o caminho. Nesse cenário difuso, ambíguo e complexo, como obter o consenso necessário e o alinhamento correto para que seja possível atingir objetivos coletivamente compartilhados? De que modo construir acordos que consigam galvanizar vontades e influenciar atitudes? A resposta a essas perguntas têm um nome: liderança, ou, em outras palavras, atitudes coerentes, convincentes e responsáveis que capturem corações e mentes numa direção comum.

O conceito de liderança, por vezes, nos induz a pensar estarmos diante de um conjunto de qualidades quase sobre-humanas ou até míticas, tamanha a expectativa ou rol de qualidades que se atribuem ao líder. Desmitificar o líder e compreendê-lo a partir de um paradigma mais humano é um bom começo no sentido de conciliar melhor entendimento sobre o tema.

É preciso aceitar que não há um único conjunto de atributos de liderança. Líderes, por mais competentes e preparados que sejam, sempre estarão diante de fatores limitantes e conhecimentos insuficientes. Nesse sentido, a liderança tem se mostrado grandemente situacional. Líderes emergem a partir de determinados ambientes ou situações, não existindo um perfil de liderança universal que possa ser eficaz em todos os contextos. Dessa forma, evidencia-se a importância da capacidade de adaptação, sentido de cooperação e colaboração como sendo vitais para quem lidera, particularmente no horizonte que se descortina pós pandemia da Covid-19.

Um outro aspecto relevante aos líderes é a necessidade de relacionamento e interação constante para o pleno exercício da liderança. Cada vez mais, torna-se essencial a proximidade, o diálogo e a empatia. Líderes de sucesso tendem a se destacar quando constroem consensos, dão voz às minorias e fortalecem o sentido de pertencimento a uma causa, fruto de diversas e diversificadas vozes. Essa capacidade de síntese daquilo que tem valor é fundamental na construção de sentido, vigor e sustentabilidade das ações de um líder. Desse construto, basicamente social, emergem seguidores voluntários, que cristalizam a essência da verdadeira e legítima liderança.

Em suma, um líder precisa ser mais visionário do que estrategista, mais contador de histórias que seduzem e impactam do que comandante que dita ordens, e mais servo da mudança do que arquiteto ou engenheiro de soluções prontas. Liderar, antes de tudo, é ter a consciência de sua própria fragilidade, renunciando à soberba e exercitando uma humildade sincera, assim como acreditar que as melhores soluções estão na inteligência coletiva e plural.

Nesse continuum de princípios que governam a boa liderança, a integridade tem especial destaque, uma vez que o comportamento exemplar é que molda a postura ética e o padrão moral dos liderados. Também uma visão orientadora, capaz de inspirar as pessoas para um propósito comum é fundamental para que o líder prospere em sua missão. Curiosidade e coragem para descortinar o futuro, e uma atitude voltada para a inovação, são ingredientes de enorme importância no paradoxal ambiente atualmente vivido.

De todo o visto, depreende-se ser a liderança um requisito absolutamente essencial para qualquer empreendimento humano, seja pessoal, empresarial ou de governo. Boas lideranças possuem o poder de moldar um mundo melhor. Talvez, em época alguma, especialmente diante dos tempos incertos que se avizinham, a sociedade esteve tão dependente de boas e inspiradoras lideranças.

 

 

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