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Política Lula diz que pretende concluir ainda neste ano um acordo “equilibrado” com a União Europeia

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Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante encontro com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em Bruxelas, na Bélgica. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nessa segunda-feira (17), em reunião do fórum empresarial entre União Europeia (UE) e América Latina, que o Brasil pretende concluir “ainda este ano” um acordo “equilibrado” entre o Mercosul e o bloco europeu. A declaração do presidente, que está em Bruxelas para a cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) com o bloco europeu, veio pouco após a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmar querer concluir o pacto “o mais rápido possível”, em meio às divergências que prolongam mais as negociações de décadas.

O acordo Mercosul-UE perdeu importância na cúpula após divergências entre os dois blocos, sobretudo depois de os europeus terem enviado um documento chamado “side letter” em que pedem mais compromissos ambientais da região. O Brasil já elaborou sua resposta, que agora circula entre os parceiros do Mercosul e ainda não foi enviada ao bloco europeu.

“Queremos um acordo que preserve a capacidade das partes de responder aos desafios presentes e futuros”, disse Lula nessa segunda.

No discurso durante o fórum empresarial, o presidente falou sobre o tema que lhe é mais caro no acordo: compras governamentais. Segundo ele, “as compras governamentais são um instrumento vital para articular investimentos em infraestrutura e sustentar nossa política industrial”.

O governo brasileiro atual é contra o trecho que trata de compras governamentais no texto do acordo negociado ao longo de mais de vinte anos, cuja versão final foi negociada no governo Temer e finalizado durante Bolsonaro.

“EUA e União Europeia saíram na frente e já adotam políticas industriais ambiciosas baseadas em compras públicas e conteúdo nacional”, disse Lula, defendendo sua posição.

Lula acredita que a abordagem para compras governamentais deveria ser revista, o que implicaria reabrir o texto de negociação. Fontes ligadas à negociação acreditam que reabrir o texto para tratar de compras governamentais, como quer Lula, e de meio ambiente, como querem os europeus, significaria postergar por tempo indefinido o fechamento do acordo.

Mais cedo, antes de uma bilateral com Lula, Von der Leyen havia dito que deseja resolver as diferenças que restam sobre o acordo comercial “o mais cedo possível” sem especificar uma data.

Von der Leyen também disse que, se o acordo for alcançado, as populações e os negócios das duas regiões estarão mais conectados, as cadeias de suprimentos mais diversificadas e as economias mais modernizadas “em maneiras que reduzem as desigualdades e beneficiam a todos”. O bloco europeu, disse ela, quer ser um parceiro que busca com o Mercosul um acordo “ganha-ganha” que beneficie os dois lados e elogiou a atual política externa brasileira.

“Eu dou as boas-vindas à reemergência do Brasil como um grande ator global. Isso é oportuno e já gerou impulso positivo para a parceria estratégica entre as nossas duas regiões”, afirmou ela. As informações são do jornal O Globo.

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