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Edson Bündchen Luzes, por favor!

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Em livro ainda a ser lançado, Carol Leonnig e Philip Rucker, repórteres do jornal The Washington Post, revelam de que forma militares americanos discutiram planos para neutralizar uma eventual atitude golpista do Ex-Presidente Donald Trump, logo após este ter promovido mudanças em posições estratégicas do Governo, depois da vitória de Joe Biden. Essa ação preventiva das Forças Armadas Americanas, agora reveladas, não surpreendem tanto quanto ratificam que o perfil autoritário de Trump, e suas reiteradas posições de vítima, mentiroso contumaz e “salvador da pátria”, sempre sinalizaram um risco real e iminente à maior democracia do mundo. A propósito desse tema emergente, outros estudiosos também se debruçam sobre o atual fenômeno de aumento da polarização, intolerância e escalada retórica autoritária em várias partes do mundo. Nesse sentido, um dos mais destacados autores a analisar o processo do avanço dos riscos às democracias no mundo, Steven Levitsky, de Harvard, afirma que não é necessária nenhuma violência prévia para determinar ou sinalizar a iminência de uma ruptura institucional: basta observar o discurso e algumas ações de quem está no poder. Existe notável semelhança entre as narrativas golpistas.

Nessa linha, um “sinal vermelho” clássico, por exemplo, é qualquer discurso sobre possíveis fraudes no sistema eleitoral, quando, obviamente, não as houver. Se determinado país detém um processo eleitoral tradicionalmente confiável, em que qualquer especialista, doméstico ou estrangeiro, sabe que o sistema é íntegro, ataques infundados e intempestivos denotam a tentativa de enfraquecimento do processo, configurando-se em ameaça concreta à democracia, assegura Levitsky. A busca pelo controle ou sistemáticas ofensas ao sistema judiciário, bem como a incitação à violência, também fazem parte do arsenal autoritário, e juntamente com eventual aparelhamento das Forças Armadas, compõem o perigoso mosaico de comportamentos golpistas, mas não se encerram apenas nisso. Há outros elementos singulares ligados às personalidades envolvidas, maturidade das instituições e engajamento político da população, que também não devem ser menosprezados.

Esse alerta de especialistas quanto ao enfraquecimento das grades que protegem as democracias no mundo ocorre no epicentro da mais dramática transformação social e de costumes pós-Revolução Industrial, fortemente influenciada pelo paradigma digital, e de uma sociedade cada vez mais instável, ou líquida, conforme as palavras de Zygmunt Bauman. Faz sentido, assim, buscar compreender que espécie de contraponto estrutural pode ser avocado para salvaguardar as democracias sob risco e, mais do que isso, imaginar que seja possível engendrar justamente o seu oposto, maior robustez à participação e envolvimento populares, dentro de uma perspectiva mais inclusiva e institucionalmente fortalecida. Para Steven Pinker, professor de Harvard, a resposta pode estar na defesa da razão, da ciência e do humanismo, naquilo que ele denomina de “novo iluminismo”.

A propósito, a comemoração em 14 de julho, da “Queda da Bastilha”, nos remete à urgente necessidade do resgate e atualização, até mesmo uma defesa entusiasmada, dos preceitos que iluminaram o mundo em 1789. Hoje, parte dos nossos problemas políticos, sociais e econômicos derivam, em grande medida, de um indesejável afastamento das luzes e dos ideais que forjaram uma noção de crenças e valores humanistas, dentro de uma sociedade aberta, inclusiva e liberal. À espreita, às sombras, brotaram líderes, e o presente reafirma isso, que enxergam nos infortúnios da modernidade, palco ideal para projetos personalistas, intolerantes e autoritários, numa completa inversão do que Rousseau, Voltaire, Montesquieu e tantos outros ousaram sonhar. Para que as luzes perdurem, verdades antigas devem conservar seu lugar nas mentes dos homens, e reafirmadas na linguagem e nos conceitos das sucessivas gerações, assinalou Friedrich Hayek, inspirando-nos, ainda hoje, a não abandonarmos essa missão.

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