Quarta-feira, 08 de Abril de 2020

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Mundo Mais de 20% das mulheres angolanas vivem em relação polígama

Percentagem varia conforme a província. (Foto: Reuters)

Um total de 22 em cada 100 mulheres angolanas assume viver numa união polígama, com um homem e várias companheiras, fenômeno que se verifica sobretudo nas áreas rurais, conclui o relatório final do IIMS (Inquérito de Indicadores Múltiplos de Saúde) 2015/2016.

De acordo com os dados do estudo, realizado pelo INE (Instituto Nacional de Estatística) angolano e consultado hoje pela Lusa, a relação polígama é mais assumida pelas mulheres (22%), enquanto apenas 8% dos homens “declararam ter duas esposas ou mais”.

“À medida que o nível socioeconômico aumenta, diminui a poligamia”, reconhece o IIMS, acrescentando que a percentagem de mulheres “com uma ou mais coesposas aumenta com a idade”. Varia de 9% entre as mulheres de 15 a 19 anos e 33% entre as mulheres de 45 a 49 anos.

Além disso, a percentagem de mulheres com, pelo menos, uma coesposa é maior nas áreas rurais (29%) do que nas áreas urbanas (18%) e as mulheres com menor nível de escolaridade “são mais propensas a ter coesposas”, já que 28% das que declararam não ter escolaridade assumiram ter uma ou mais coesposas, contra 13% das mulheres com nível secundário ou superior.

O estudo reconhece igualmente que a percentagem de mulheres em uniões poligâmicas varia consoante a província, sendo mais baixa em Luanda (14%) e na Lunda Norte (13%), e mais elevada no Cuanza Norte (42%).

No caso dos homens, o IIMS aponta que o número de esposas “aumenta com a idade”, ou seja, varia de 2% nos homens de 20 a 24 anos, para 14% entre os 45 e os 49 anos.

Os resultados do IIMS 2015/2016 mostram que 55% das mulheres e 48% dos homens, entre os 15 e os 49 anos, são casados ou vivem em união de facto. Por outro lado, 92% dos homens casados ou em união de facto declararam ter apenas uma esposa e 8% declararam ter duas esposas ou mais.

Em média, as mulheres angolanas têm a primeira relação sexual aos 16,6 anos, enquanto os homens aos 16,4 anos.

Angola: Um país jovem vai a votos

Com uma das populações mais jovens do mundo, segundo o Censo Geral da População e Habitação, de 2013, o xadrez político em Angola poderá ser diferente depois das eleições de 23 de agosto, devido ao voto da juventude.

Muitos jovens que votarão pela primeira vez não sentiram o impacto da guerra que acabou há 15 anos, mas sentem no seu dia-a-dia as consequências da crise econômica causada pela baixa do preço do petróleo no mercado internacional. Desta vez, o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), partido no poder desde 1975, já não pode utilizar o argumento do crescimento econômico, como fez no último pleito. Desde finais de 2015, vive-se a escassez de divisas e, consequentemente, a subida dos preços dos principais produtos básicos, como o arroz.

Estas são as terceiras eleições em Angola desde que o país alcançou a paz em 2002 e as primeiras em tempo de crise econômica e financeira.

A campanha eleitoral está na reta final. A 23 de agosto, os angolanos vão escolher nas urnas o novo Presidente da República e os seus representantes na Assembleia Nacional.

O site “Maka Angola” noticiou, na última semana, que uma sondagem encomendada pela Presidência da República prevê uma vitória do MPLA com apenas 38% dos votos.

A UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola) obteria 32% das intenções de voto, enquanto a Convergência Ampla de Salvação de Angola-Coligação Eleitoral (CASA-CE) surgiria após a atual maior força da oposição, com 26%. Cerca de 90% dos cidadãos teriam sido inquiridos no estudo realizado pela empresa brasileira Sensus Pesquisa e Consultoria, nas 18 províncias do país, segundo o “Maka Angola”.

No entanto, esta segunda-feira (14), o Jornal de Angola divulgou que o Consórcio Marketpoll Consulting, empresa angolana, e a Sensus Pesquisa e Consultoria desmentiram a sondagem eleitoral divulgada pelo “Maka Angola”, afirmando que o estudo nunca foi realizado.

O jornal refere-se a um comunicado conjunto das duas empresas e escreve que “os dados das pesquisas, realizadas pela Marketpoll/Sensus diferem, radical e frontalmente, dos dados apresentados pelo site ‘Maka Angola’ e que a Marketpoll/Sensus nunca realizou qualquer sondagem de opinião, com uma base amostral de 9.155 entrevistas no país”.

Uma sondagem sobre as eleições de 23 de agosto, realizada em julho pelo Instituto Superior Politécnico Jean Piaget de Benguela em parceria com o Instituto Superior Politécnico Sol Nascente do Huambo e o apoio da Universidade Católica Portuguesa, apontava para um cenário de maioria absoluta do MPLA, com mais de 60% das intenções de voto.

Segundo este estudo, a CASA-CE contava com cerca de 19% das intenções de voto e a UNITA com 15%. Carlos Pacatolo, coordenador do inquérito, considerou que “a margem de erro ronda os 1,3%.”

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