Segunda-feira, 14 de Junho de 2021

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Mundo Médicos indianos alertam que banho com esterco não protege contra o coronavírus

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Prática é ligada ao hinduísmo e não tem nenhuma eficiência para combater o coronavírus. (Foto: Reprodução de vídeo)

Médicos na Índia se viram obrigados a alertar a população que espalhar estrume de vaca pelo corpo não protege contra a covid-19 e que ainda há risco de contágio por outras doenças.

No Estado de Gujarat, algumas pessoas têm ido a currais uma vez por semana para cobrir o corpo de esterco e urina de vaca, na esperança de que isso fortaleça a imunidade contra o coronavírus ou mesmo que possa ajudá-los a se recuperar da doença.

O coronavírus já infectou mais de 22,6 milhões de pessoas na Índia. Até agora, foram mais de 246 mil mortes notificadas oficialmente (os especialistas dizem que o número real pode ser até 10 vezes maior). Há falta de leitos hospitalares, oxigênio e remédios e, assim, muitos morrem sem tratamento.

Vaca

A vaca é sagrada no hinduísmo. É um símbolo da vida e da terra. Durante séculos, os hindus usaram estrume de vaca em rituais religiosos. Eles acreditam que o material tem propriedades terapêuticas.

“Vemos até mesmo médicos aqui. A crença deles é que essa terapia melhora a imunidade e que eles podem atender os pacientes sem receio”, disse Gautam Manilal Borisa, um gerente de uma empresa farmacêutica.

Ele mesmo vai com frequência a uma escola de monges hindus para passar pelo banho de estrume.

Os participantes passam uma mistura de estrume e urina nos corpos e esperam secar. Eles se abraçam e fazem homenagens às vacas no recinto e também praticam yoga. Depois, eles se lavam com leite.

Médicos e cientistas na Índia e em outros países já avisaram que tratamentos sem eficácia podem levar a uma falsa sensação de segurança em relação à pandemia e piorar a situação epidemiológica.

O presidente da Associação Médica Indiana, o doutor J.A. Jayalal, afirmou que não há nenhuma comprovação científica de que estrume e urina de vaca fortalecem a imunidade contra a covid-19.

“Há risco à saúde ao usar esses produtos. Doenças dos animais podem contaminar os humanos”, afirmou.

Além disso, há aglomeração de pessoas nesses rituais, o que vai contra as orientações mundiais de especialistas para evitar a disseminação da covid.

Corpos

Cerca de 50 cadáveres de supostas vítimas da covid-19 foram encontrados às margens do rio Ganges na segunda-feira (10). Eles foram localizados principalmente perto da fronteira entre os Estados de Bihar e Uttar Pradesh, dois dos mais pobres da Índia, e serão enterrados ou incinerados por funcionários públicos locais.

Alguns deles estavam em estado adiantado de decomposição, o que indica que foram deixados na água há vários dias. A principal suspeita é que os parentes desses falecidos não puderam pagar ou não conseguiram ser atendidos pelos serviços funerários, já que a pandemia do coronavírus vem causando a sobrecarga dos crematórios e cemitérios do país.

Segundo as estatísticas oficiais, atualmente cerca de 4 mil pessoas morrem de covid-19 a cada dia na Índia.

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