Sábado, 19 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 19 de setembro de 2026
A Meta anunciou que irá remover vídeos produzidos com inteligência artificial (IA) que atacam duas mulheres, entre elas uma política britânica, após o Conselho de Supervisão da empresa considerar “insuficientes” as medidas adotadas pela companhia para proteger suas plataformas contra conteúdos fabricados com essa tecnologia. O órgão, que atua de forma quase independente e é financiado pela própria Meta, avaliou que os dois casos violavam as regras da empresa relacionadas à incitação ao ódio, à desinformação e ao assédio. Por isso, determinou que os vídeos fossem retirados das plataformas.
Um dos conteúdos apresenta uma vereadora do Partido Trabalhista na Escócia supostamente fazendo comentários inflamados a respeito de refugiados. No entanto, não existem registros públicos de que a parlamentar tenha feito as declarações atribuídas a ela. Além disso, características presentes no próprio vídeo levantaram dúvidas sobre sua autenticidade e indicaram que o material havia sido manipulado digitalmente. Entre os principais sinais está a falta de sincronização adequada entre os movimentos da boca da mulher e o áudio reproduzido no conteúdo.
O segundo vídeo tem como objetivo desacreditar uma ativista muçulmana e o trabalho que ela desenvolve como educadora na área de saúde. Nas imagens, a mulher aparece consumindo alimentos ultraprocessados enquanto oferece orientações relacionadas à alimentação e à dieta. O material também mostra a ativista realizando exercícios apresentados de maneira absurda, em uma tentativa de ridicularizar sua atuação e colocar em dúvida a credibilidade de seu trabalho.
Ao analisar os dois episódios, o Conselho de Supervisão afirmou que as políticas adotadas pela Meta são “sistemática e fundamentalmente insuficientes” para enfrentar o volume crescente de conteúdos produzidos por inteligência artificial que circulam em plataformas como Facebook e Instagram. Para o órgão, os casos analisados não devem ser vistos apenas de maneira isolada, mas como exemplos de um problema mais amplo envolvendo a disseminação de materiais manipulados digitalmente.
“Esses casos ilustram um padrão mais amplo e preocupante, no qual as mulheres que se manifestam publicamente sobre temas sociais são alvo de perseguição e desinformação de forma desproporcional”, afirmou a copresidente do Conselho, Pamela San Martin. Segundo ela, a expansão desse tipo de conteúdo aumenta a necessidade de medidas mais eficazes por parte das plataformas.
A Meta informou que irá cumprir a decisão do Conselho de Supervisão dentro do prazo de sete dias. A empresa é obrigada a acatar as determinações do órgão referentes a casos individuais, embora não tenha a mesma obrigação em relação às recomendações mais amplas relacionadas às políticas da companhia.
“Assim como outras plataformas de redes sociais, a Meta precisa de normas sólidas para lidar com a proliferação de deepfakes”, ressaltou Pamela. Entre as medidas defendidas por ela estão “uma postura muito mais rigorosa em relação à classificação de conteúdo enganoso, penalidades mais severas para os reincidentes e a remoção das deepfakes destinadas a perseguir pessoas”.(Com informações da AFP)
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