Domingo, 19 de julho de 2026
Por Redação O Sul | 18 de julho de 2026
Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) consultados criticaram a decisão de Alexandre de Moraes que suspendeu visitas do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Para eles, a ordem deve servir de arsenal contra o Supremo por Flávio e bolsonaristas, além de impulsionar o discurso de que aliados do ex-presidente são perseguidos pela Corte.
Moraes suspendeu, por 90 dias, visitas de Flávio ao pai. A decisão leva em conta a carta de Bolsonaro que foi divulgada nas redes sociais do senador no final de semana. O ministro do STF entendeu que a conduta pode configurar violação à cautelar que proíbe o ex-presidente de utilizar redes sociais, inclusive por intermédio de terceiros.
Críticas a Moraes foram feitas inclusive por integrantes do STF que são mais próximos do ministro. Para um deles, “nem tudo é violação de cautelar”. O ministro também afirmou que a decisão dá tração a um episódio sem grandes repercussões jurídicas, mas que pode, agora, ter peso político.
Dois ministros criticaram Moraes comparando o episódio com uma carta escrita por Luiz Inácio Lula da Silva em 2018, quando o petista estava preso em Curitiba. Na ocasião, ele anunciou o aval para a candidatura de Fernando Haddad (PT).
Um integrante da Corte disse que o STF é uma instituição “centenária” que precisa de calma em momentos de agitação. Ele também afirmou que o tribunal é alvo de críticas e de ameaças de impeachment pelo Senado. Decisões como a de Moraes, considera, acirram ainda mais os ânimos.
Um ministro defendeu Moraes. Para ele, Bolsonaro não pode produzir conteúdo a ser veiculado em perfis de terceiros. Chancelar esse tipo de comportamento poderia esvaziar a cautelar que proíbe o ex-presidente de utilizar redes sociais, entende. Ele diz não acreditar, no entanto, que Moraes revogue a domiciliar do ex-presidente por causa do episódio.
A decisão de Moraes rapidamente provocou reação de bolsonaristas, que acusaram o STF de atuar contra a candidatura de Flávio. O próprio senador e seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) criticaram o ministro do STF nas redes sociais.
O advogado Tracy Reinaldet, que defende Flávio, classificou a decisão como “inconstitucional” e disse que irá tomar as medidas judiciais cabíveis para “reverter” a ordem supostamente “ilegal” de Moraes.
Condenado pela Primeira Turma do Supremo por liderar uma tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro está em domiciliar desde março deste ano. Antes de ficar preso em casa, ele começou a cumprir sua pena em instalações da Polícia Federal (PF) em Brasília. Depois, foi para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, local que fica dentro do Complexo Penitenciário da Papuda é conhecido como “Papudinha”. Com informações do portal Valor Econômico.
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