Segunda-feira, 10 de Maio de 2021

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Política No Palácio do Planalto, Pazuello participa de treinamento para enfrentar sua batalha na CPI

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Aziz disse que foi informado de que Pazuello (foto) teve contato com dois coronéis infectados com Covid-19 e, por isso, decidiu entrar em quarentena. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Às vésperas de prestar depoimento na CPI (comissão parlamentar de inquérito) da Covid, o general Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde, participou neste último final de semana de uma reunião reservada dentro do Palácio do Planalto com assessores do governo federal, segundo informações do jornal O Globo. Fora da agenda pública, o encontro ocorreu no sábado e tinha como objetivo treinar o militar para participar nesta quarta-feira (5) da CPI no Senado. Essa preparação faz parte de uma estratégia do governo para defender suas ações na pandemia e blindar o presidente Jair Bolsonaro.

No Planalto, há uma preocupação sobre o desempenho do ex-ministro da Saúde na CPI. Assessores palacianos estão preparando Pazuello para que consiga ser preciso nas respostas, evite o embate com senadores da oposição e não se atrapalhe diante da pressão de parlamentares experientes. Além de ser treinado para falar em público, o general tem recebido um vasto material que será utilizado para defender a sua gestão na crise da pandemia e provar que não foi omisso.

Após deixar o ministério da Saúde, Pazuello passou a ser tutelado pelo governo, foi transferido para um cargo administrativo em Brasília e está cotado para assumir um posto na Secretaria-Geral da Presidência. Recentemente, o militar realizou duas viagens ao lado de Bolsonaro e passou a despachar com frequência no Planalto. Sob pressão, o general está na mira da CPI e já foi alvo de uma ação por improbidade administrativa do Ministério Público Federal pelo colapso de oxigênio em hospitais de Manaus. Também é investigado pela Polícia Federal por possíveis crimes nesse caso de Manaus.

A operação para preparar Pazuello para enfrentar a CPI da Covid é coordenada pela Casa Civil, sob o comando do general da reserva Luiz Eduardo Ramos. Foi instaurado um comitê com integrantes de diferentes ministérios para levantar documentos e trocar informações estratégicas. Esse grupo de trabalho conta com a ajuda do coronel Élcio Franco, ex-secretário executivo do ministério da Saúde e nomeado no dia 23 de abril como assessor especial da Casa Civil. Segundo auxiliares palacianos, o militar está dedicado a compilar dados e preparar respostas para abastecer representantes do governo convocados pela comissão parlamentar.

Durante o trabalho desse comitê, no dia 21 de abril, a Casa Civil enviou um e-mail a 13 ministérios com um documento em que listava 23 “acusações” esperadas pelo governo na CPI da Covid. O intuito era solicitar subsídios para rebater os questionamentos de senadores da comissão parlamentar, apresentando relatórios das ações do governo no combate à pandemia. Mas o vazamento dessa investida ajudou a municiar parlamentares da oposição.

A CPI da Covid vai ouvir na manhã desta terça-feira (4) o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. De tarde, será a vez de Nelson Teich, que sucedeu Mandetta no Ministério da Saúde, ocupando o cargo por cerca de um mês. Na quarta-feira (5), a comissão ouvirá o general Eduardo Pazuello, que foi ministro da Saúde por cerca de um ano. Na quinta-feira (6), será a vez do atual responsável pela pasta, Marcelo Queiroga. Também será ouvido na quinta o diretor-presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres. As informações são do jornal O Globo e da Agência Senado.

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