Quarta-feira, 13 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 31 de maio de 2025
Vivendo o pior momento de seu governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai, aos poucos, tentando se aproximar da militância de esquerda esquecida pela gestão petista nos últimos meses. O presidente fez, na última quinta-feira, um discurso durante uma visita a um assentamento do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) no Paraná em que exaltou as invasões do movimento a propriedades privadas como uma “busca” por dignidade, respeito e direitos.
Lula foi ao Estado para a criação oficial do assentamento na comunidade Maila Sabrina, entre os municípios de Ortigueira e Faxinal. A fazenda foi desapropriada pelo petista para assentar 450 famílias que ocupam o local desde 2003.
“Nós temos a obrigação moral, obrigação ética e obrigação política, de ver o que a gente viu aqui, e ter coragem de debater com aqueles que são contra o Movimento Sem Terra, aqueles que são contra a reforma agrária, aqueles que não conhecem o sacrifício e tentam vender a imagem de que vocês são invasores de terras”, disse Lula.
“Na verdade, vocês são invasores de busca de dignidade, de busca de respeito, de busca de direitos que vocês têm que ter”, seguiu o petista.
Programa Terra da Gente
Lula participou do ato de criação do Assentamento Maila Sabrina, no Paraná, no âmbito do Programa Terra da Gente. Cerca de 450 famílias de trabalhadores rurais serão beneficiadas em uma área de 10,6 mil hectares localizada nos municípios de Ortigueira e Faxinal.
O assentamento faz parte de um conjunto de ações do Governo Federal para ampliar o acesso à terra e fortalecer a produção de alimentos. Durante o evento, Lula destacou a importância da reforma agrária como instrumento de justiça social e afirmou que há uma obrigação ética, moral e política de defender o direito das famílias às terras.
O presidente ainda destacou que investir na reforma agrária não é apenas uma questão social, mas também econômica e estratégica para o país. “Quanto mais gente estiver produzindo no campo, quanto mais pequenos proprietários a gente tiver, quanto mais incentivo a gente der, quanto melhor produzir, fica mais barato e todo mundo vive”, afirmou. Lula frisou, ainda, que é inadmissível que o mundo, mesmo produzindo mais alimentos do que a população consegue consumir, tenha mais de 700 milhões de pessoas passando fome.
O imóvel Fazenda Brasileira é ocupado desde 2003 pela comunidade autodenominada Maila Sabrina. As famílias sofreram, ao longo de 20 anos, vários processos de despejo. Em 2023, foram cadastradas pelo Incra por meio da Plataforma de Governança Territorial – Campo (PGTCampo). Antes da ocupação, em 2003, a área de 10,6 mil hectares mantinha uma criação de búfalos e se encontrava em estado de intensa degradação ambiental.
Com a ocupação da fazenda em 8 de janeiro de 2003 pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a comunidade buscou, de forma organizada, construir espaços de luta e resistência. Atualmente, a área é ocupada por cerca de 1.600 pessoas de forma estruturada e consolidada, com 450 famílias que realizam uma diversidade de atividades produtivas, entre elas o cultivo orgânico de grãos, hortaliças, verduras e frutas, pequenas criações de animais (caprinos, bovinos, aves e suínos), agroindústrias, serviços públicos e comunitários, eventos culturais e religiosos.
“Maila Sabrina, uma menina de três anos que faleceu e, em torno da vida dela, aqui nós estamos construindo vidas. Foram apresentados ao presidente Lula durante a visita 160 tipos de alimentos da cultura alimentar do nosso povo. E ali eu vi o caminho para tirar todos os brasileiros do mapa da fome. Por isso, a reforma agrária é decisiva para a gente avançar na direção de ter soberania alimentar no nosso povo e um povo bem alimentado, de comida, mas de direitos”, pontuou o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira. As informações são da revista Veja e do Palácio do Planalto.
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