Sexta-feira, 10 de abril de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Tecnologia Novo dispositivo com inteligência artificial “devolve” a voz a pacientes que sofreram AVC

Compartilhe esta notícia:

Revoice captura a frequência cardíaca e vibrações mínimas dos músculos da garganta (Foto: Divulgação/Universidade de Cambridge)

Cientistas da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, desenvolveram um dispositivo vestível que envolve o pescoço e utiliza inteligência artificial para “devolver” a voz a pacientes com sequelas graves de um acidente vascular cerebral (AVC). O objetivo é recuperar a capacidade desses indivíduos de se comunicarem de forma natural e fluída.

Chamado de “revoice”, o aparelho é colocado como um como uma espécie de colar e combina sensores ultrassensíveis com tecnologia de IA para capturar minúsculas vibrações dos músculos da garganta enquanto o paciente tenta falar e decodificá-las em palavras e frases completas em tempo real.

Para isso, a IA do colar utiliza duas ferramentas, uma que reconstrói a fala a partir desses sinais e outra que interpreta o estado emocional do paciente e informações como hora do dia e condições climáticas para expandir o contexto das palavras em frases inteiras.

O dispositivo foi testado em um pequeno estudo com cinco pacientes diagnosticados com disartria, distúrbio em que a pessoa perde a capacidade motora de articular a fala e se comunicar devido a lesões neurológicas e que afeta cerca de metade dos pacientes que sofrem um AVC.

A taxa de erro para palavras foi de apenas 4,2%, e a de frases de somente 2,9%, considerado um ótimo desempenho. Os resultados foram publicados na revista científica Nature Communications.

“Quando as pessoas têm disartria após um AVC, pode ser extremamente frustrante, porque elas sabem exatamente o que querem dizer, mas lutam fisicamente para dizê-lo, pois os sinais entre o cérebro e a garganta foram embaralhados pelo AVC. Essa frustração pode ser profunda, não apenas para os pacientes, mas também para seus cuidadores e famílias”, explica Luigi Occhipinti, professor do Departamento de Engenharia de Cambridge que liderou a pesquisa, em comunicado.

Nesses casos, geralmente o indivíduo realiza sessões com um fonoaudiólogo para tentar recuperar essa capacidade, porém o tempo é longo, pode levar de meses a mais de anos. Nesse período, “os pacientes geralmente conseguem realizar os exercícios repetitivos após alguma prática, mas costumam ter dificuldades com perguntas abertas e conversas cotidianas”, conta o pesquisador.

Por isso, a equipe de Cambridge decidiu criar um dispositivo para auxiliar os pacientes ao longo do processo. Occhipinti explica que, como muitos recuperam a capacidade de falar depois das sessões, a ideia era que não fosse algo invasivo, como os implantes cerebrais, já que não seria necessário para o resto da vida.

Como solução, eles chegaram no “revoice”, que usa sensores para capturar as vibrações sutis da garganta e decodificar os estados emocionais a partir da frequência cardíaca enquanto a pessoa tenta falar. A IA é a peça final para converter esses dados em frases completas, consumindo assim o mínimo de energia.

No estudo, os cinco pacientes com disartria foram comparados com 10 controles saudáveis. Os participantes usaram o dispositivo e articularam frases curtas sem emitir som. Ao balançar a cabeça duas vezes, eles podiam escolher expandir essas frases em sentenças completas usando a IA integrada.

Em um exemplo, “nós ir hospital” tornou-se “embora esteja ficando um pouco tarde, ainda estou me sentindo desconfortável. Podemos ir ao hospital agora?”. Isso porque os sensores entenderam que o usuário estava se sentindo frustrado devido à sua frequência cardíaca elevada, e a IA incluiu a informação de que estava anoitecendo.

Após os testes, os voluntários da pesquisa relataram um aumento de 55% na satisfação dos pacientes, mostrando que o dispositivo é uma ferramenta promissora para auxiliar aqueles que sofreram um AVC durante o processo para recuperar a capacidade de comunicação.

Ainda são necessários mais estudos clínicos para que o dispositivo confirme a sua segurança e eficácia e chegue à etapa de submissão às agências reguladoras para aprovação de uso. Mas os pesquisadores responsáveis já esperam que versões futuras incluam capacidades multilíngues, uma gama mais ampla de estados emocionais e operação totalmente autônoma para uso diário.

Além disso, os cientistas avaliam que o aparelho pode ajudar pessoas com outras condições, como Parkinson e doença do neurônio motor, que afetam a capacidade de articular a fala. O próximo passo é um teste clínico maior, conduzido também na Universidade de Cambridge, previsto para começar ainda neste ano.

“Trata-se de devolver a independência às pessoas. A comunicação é fundamental para a dignidade e a recuperação”, celebra Occhipinti. (Com informações de O Globo)

 

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Tecnologia

Como o supercomputador do INPE prevê ondas de calor no Brasil com precisão
Vacina contra câncer de pele melanoma reduz em 49% risco de morte ou retorno do tumor após cinco anos
Deixe seu comentário
Verificação de Email

Você receberá um email de confirmação após enviar o seu primeiro comentário, mas ele só será publicado depois que você clicar no link de verificação enviado para a sua conta de e-mail para confirma-lo. Os próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!

0 Comentários
mais recentes
mais antigos Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários
Pode te interessar
0
Adoraria saber sua opinião, comente.x