Quarta-feira, 17 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 13 de dezembro de 2021
Autoridades confirmaram nesta segunda-feira (13) que ao menos 88 pessoas morreram por uma das piores séries de tornados na história dos Estados Unidos. No domingo, um dia após a tragédia que atingiu seis estados e deixou cidades em ruínas, autoridades haviam anunciado 90 mortes, número que foi revisto para baixo mais cedo nesta segunda, antes de aumentar novamente. O governador de Kentucky, Andy Beshear, disse que “a contagem mais precisa” no Estado, até o momento, é de 74 habitantes mortos, acrescentando que o número deve aumentar.
“Haverá mais [vítimas]”, disse Beshear, informando a contagem final ainda deve demorar alguns dias. Segundo ele, os mortos no Estado tinham entre 5 meses e 86 anos de idade. Ainda havia 109 desaparecidos.
Entre sexta-feira e sábado foram registradas ao menos 14 mortes em outros quatro estados vizinhos: Tennessee, Illinois, Missouri e Arkansas.
O presidente Joe Biden anunciou que visitará, na próxima quarta-feira, essa região do Centro-Oeste do país que faz parte do “cinturão da Bíblia”, onde existe forte influência da Igreja. Calcula-se que os tornados tenham deixado um rastro de destruição com cerca de 300 quilômetros de extensão.
Biden classificou o fenômeno como “uma das piores séries de tornados” na história do país. No domingo, ele declarou Kentucky área de “catástrofe maior”, o que facilitará a liberação de recursos para a recuperação do estado.
“Estaremos presentes para permitir que a população se recupere e se reconstrua”, prometeu o secretário de Segurança Nacional dos EUA, Alejandro Mayorkas, ao canal CNN.
Solidariedade
Em todas as cidades atingidas, moradores trataram de organizar grupos para limpar escombros, arrecadar suprimentos e acolher os desabrigados. Muitas igrejas foram transformadas em refúgios para aqueles que ficaram sem casa.
Uma das cidades do Kentucky que sofreu mais danos foi Mayfield, onde quarteirões foram destruídos, assim como uma fábrica de velas aromáticas, deixando oito funcionários mortos e outros tantos desaparecidos.
Funcionária da escola técnica local, Vanessa Cooper, de 40 anos, estava tentando resgatar o que podia do apartamento de sua mãe, do qual agora restam apenas duas paredes em pé.
“Algumas pessoas da minha igreja vieram ajudar (…) Significa muito para mim”, disse ela, acrescentando que não poderia ter feito tudo isso sozinha.
A solidariedade é algo natural nas comunidades pequenas, afirma Cooper, quando uma vizinha perguntou se precisava de algo.
Para Randy Guennel, encontrar abrigo na igreja foi um milagre. O aposentado de 79 anos sobreviveu dois dias com sua esposa doente em casa.
No domingo, escreveu “preciso de ajuda” em uma caixa de pizza e a colocou na caixa de correios.
“Algumas pessoas maravilhosas desta igreja pararam e nos trouxeram para cá”, conta à AFP, afogando-se em soluços.
Imagens de árvores caídas e casas destruídas se misturam com prédios derrubados pela força da tempestade em Mayfield.
“Trabalhamos tantos anos por tudo isso e agora tudo se tornou fumaça”, lamenta Randy Guennel, um aposentado de 79 anos, que conta que “não há mais casas, mais carros, nada mais”.
Zona de guerra
Sentado em uma cadeira em frente ao que restou de sua casa, Marty Janes olhava o vazio sem compreender, enquanto os voluntários trabalhavam ao seu redor:
“Estou arrasado. É impressionante… não tenho nada”, disse Janes, que ficou preso nos fundos de sua casa, enquanto sua esposa Theresa estava no quarto, quando o teto desabou.
Depois de seu resgate pelos bombeiros, o casal ficou separado durante dois dias enquanto Theresa estava hospitalizada, conta Janes com lágrimas nos olhos. Não queria que sua esposa visse os danos em sua casa, agora inabitável.
Em entrevista à CNN, o coordenador de ajuda de Kentucky, Michael Dossett, comparou a situação com “a visão de uma zona de guerra”.
A diretora da Agência dos Estados Unidos para Gestão de Desastres (FEMA), Deanne Criswell, alertou no domingo que multiplicação dos fenômenos meteorológicos devastadores será um “novo normal” no país.
Criswell destacou também a dimensão “incrivelmente rara” e “histórica” desses tornados para esta temporada. As informações são do jornal O Globo e de agências internacionais de notícias.
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