Quarta-feira, 08 de Abril de 2020

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CAD1 O Banco Central da Argentina elevou a taxa de juros de 40% para 45%

Tesouro argentino também instruiu o banco a descontinuar vendas de dólares devido à liquidez do peso. (Foto: Reprodução)

A Argentina elevou a taxa básica de juros de 40% para 45% ao ano, informou o Banco Central do país nesta segunda-feira (13), após o peso despencar em decorrência de um escândalo de corrupção que envolveu políticos e empresários argentinos e também com o forte recuo da lira turca.

A decisão foi tomada em uma reunião extraordinária.

Esta é a quarta alta consecutiva nos juros, a última tinha ocorrido em maio. O movimento é uma tentativa de incentivar os investidores a manterem seu dinheiro na Argentina, contendo assim o fluxo de saída de dólares do país e a valorização da moeda norte-americana frente ao peso.

Nesta segunda, o dólar chegou a valer pouco mais de 30 pesos argentinos. A moeda iniciou este ano no patamar de 18 pesos.

“Em resposta à situação externa atual e ao risco de um novo impacto sobre a inflação doméstica, o Comitê de Política Monetária do Banco Central da República Argentina decidiu por unanimidade se reunir fora de seu cronograma pré-estabelecido e aumentar a taxa de política monetária para 45%”, informou o banco em comunicado.

Dívida

O banco central também se comprometeu a não diminuir o novo patamar de juros até pelo menos o mês de outubro e a emitir menos dívida de curto prazo para reduzir o endividamento, informaram autoridades do banco nesta segunda-feira.

O movimento é coerente com o empréstimo de US$ 50 bilhões que o país obteve no começo deste ano junto ao FMI (Fundo Monetário Internacional), disse o porta-voz do fundo, Gerry Rice, em comunicado.

O Tesouro da Argentina também instruiu o banco central a descontinuar suas vendas diárias de dólares norte-americanos por causa da liquidez do peso, informou a pasta em nota.

Veja abaixo alguns pontos para entender o atual impasse financeiro e econômico na Argentina:

Dólar
O peso argentino enfrenta uma forte desvalorização nos últimos meses, e, com isso, vem batendo mínimas recordes com relação ao dólar. Em 2018 até meados de junho, a moeda dos Estados Unidos já subiu 47% sobre a da Argentina. Atualmente, são necessários quase 28 pesos argentinos para comprar US$ 1, patamar recorde no país.

O dólar está em tendência de alta em relação a várias moedas, inclusive o real, no Brasil. Isso acontece em meio a temores de uma guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, que têm mexido com os mercados em todo o mundo. Além disso, aumentou a expectativa de que os Estados Unidos subam suas taxas de juros mais rápido que o esperado. Fazendo isso, o país se tornaria mais atraente para os investidores em relação a outros mercados, como os emergentes, considerados menos seguros para aplicações. Por essa razão, o dólar se valoriza.

Reservas

Uma das medidas do BC argentino para tentar frear a alta do dólar é usar suas reservas em moeda internacional. O objetivo é injetar dólares no mercado para, por meio do aumento da oferta, diminuir seu valor sobre o peso.

Pedidos de ajuda

A crise levou o governo argentino a pedir uma linha de crédito ao FMI, com juros mais baixos que captar dinheiro no mercado. Um acordo de US$ 50 bilhões entre o fundo e o país foi fechado recentemente.

Com o acordo, o país já terá acesso imediato a US$ 15 bilhões – dos quais metade vai ser usada para reforçar o orçamento público. Os outros US$ 35 bilhões a serão disponibilizados ao longo de três anos. Este valor estará sujeito a revisões trimestrais.

 

 

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