Quinta-feira, 02 de Julho de 2020

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Armando Burd O cinto vai apertar

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O maior desafio do ano para senadores e deputados federais começa hoje, quando será instalada a Comissão Mista do Orçamento Público. Terão de ajustar as despesas da União ao teto de gastos aprovado pelo Congresso.
Dívidas imensas, juros estratosféricos, falta de dinheiro para pagar, tudo isso compôs até agora um quadro de irresponsabilidades. Parece que muitos administradores viveram em outro planeta. Gastando muito além da receita, não perceberam que governar é enfrentar a realidade. Agora, terão de encontrar mais um furo no cinto e apertá-lo.

COERÊNCIA VAI PARA O LIXO

No vale-tudo das adesões eleitorais, partidos e candidatos vão jogar para escanteio valores éticos e coerência ideológica quando 2018 chegar. Na sequência, transformarão em aliados incondicionais adversários separados por divergências que todos supunham ser intransponíveis. Tudo em nome da chegada ao poder a qualquer preço.

IMAGEM INESQUECÍVEL

Ninguém esquece o aperto de mão entre Luiz Inácio Lula da Silva e Paulo Maluf em 2012. O que um disse contra o outro, jogando lama ao longo de anos, deveria constar no Livro do Recordes.
Uma das declarações de Lula antes da reconciliação: “Ele é o símbolo da pouca vergonha nacional e está dizendo que quer ser presidente da República”. Maluf revidou: “Quem votar em Lula vai cometer suicídio administrativo”.
Os arranjos esdrúxulos de bastidores continuam poluindo o noticiário.

SÃO TAMBÉM ATORES

Se os produtores dos estúdios de Hollywood descobrirem os pendores de muitos políticos brasileiros, virão com contratos na mão. Começa pela capacidade na arte de simular.

SEM RODEIOS

A necessária reforma política pode se restringir a medidas que eliminem negociações indigestas que ofendem o bom senso. É preciso limitar o número de partidos, pondo na ilegalidade os de aluguel, além de exigir fidelidade à mensagem ideológica.

TRANSFORMISTAS

A cada eleição, fica evidente que as melhores técnicas de venda são aplicadas. Os candidatos se transformam artificialmente em produtos e os eleitores ficam reduzidos à mera condição de consumidores. Tudo isso empobrece o processo, com riscos e prejuízos evidentes. É o que precisa mudar no próximo ano.

FASE LIQUIDAÇÃO

A situação financeira do governo de Minas Gerais é tão grave que o governador Fernando Pimentel, do PT, cogita vender o Centro Administrativo, caso surja interessado. Projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, a obra custou 1 bilhão e 200 milhões de reais. Mais 900 milhões em mobiliário e cabeamento para a Informática.
Há suspeitas de que a propina do custo total de 2 bilhões e 100 milhões foi de 3 por cento.

NÃO ANDA

O Rio Grande do Sul terá até o final do ano uma penitenciária federal. O anúncio foi feito a 28 de março de 2002 pela secretária Nacional de Justiça, Elizabeth Sussekind. A administração seria entregue a uma empresa privada. A mesma promessa havia sido feita em 1997. Até hoje, nada.

FAIXA DE RISCO

Com o aumento da frequência do transporte clandestino de passageiros na região metropolitana de Porto Alegre, a fiscalização será redobrada. A tarifa fica mais barata, mas os ônibus piratas não têm segurança.

RÁPIDAS

* Na abertura da sessão plenária de hoje, o deputado Luis Augusto Lara vai tratar da renegociação da dívida com a União, que considera uma intervenção no Estado.

* A cada dois anos, há chance de derrotar a mentira, a demagogia, o autoritarismo, a cooptação, a submissão, a burocracia e o conluio.

* Na política, existem as conversas ao pé do ouvido e os conchavos ao rés do chão.

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