Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 28 de janeiro de 2018
O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), disse que seu Estado não fabrica nem armas pesadas nem drogas e que cobrará ações do presidente Michel Temer para conter a onda de violência local. Santana falou após uma reunião com autoridades dos três poderes estaduais marcada para discutir a chacina que matou 14 pessoas em Fortaleza na madrugada de sábado (27).
“Estou pedindo uma audiência com o presidente da República para exatamente cobrar ações mais efetivas do governo federal em relação ao combate ao crime organizado, ao tráfico de drogas, à proteção das fronteiras do nosso País por conta dessa questão do alto índice de criminalidade do Brasil”, afirmou.
Na coletiva, o governador disse que a polícia cearense teria identificado cinco pessoas relacionadas à chacina, sendo três mandantes, e que as prisões sairiam “nas próximas horas”. Ele afirmou ainda que uma pessoa, portando um fuzil e que teria relação com o massacre, já estaria presa.
“Estamos pagando um preço muito caro hoje por falta de uma política nacional. Essas facções nasceram no Rio e em São Paulo e se espalharam pelo Brasil inteiro. Isso é uma briga de território”, afirmou.
O governador afirmou ainda que a PF (Polícia Federal) – órgão sob o qual não possui controle – iria criar um grupo especializado para combater o crime organizado. “Outra ação importante, tomada aqui, é a criação de um grupo especializado da Polícia Federal no combate ao crime organizado no Estado do Ceará. A criação desse grupo já vinha sendo discutida há algum tempo”, disse. Nenhum representante da PF falou com os jornalistas.
Mortes
Santana foi cobrado pelos repórteres a repassar dados sobre novas mortes que teriam ocorrido na região metropolitana de Fortaleza após as mortes da chacina. Funcionários das empresas funerárias que atendem a cidade vêm dizendo que já houve ao menos 10 mortes, e que 7 delas teriam ocorrido em dois ataques.
O governador se recusou a fornecer tais dados e se irritou ao ser cobrado. Ele disse que “o controle (da situação) é e sempre será do Estado”, mas ao ser questionado sobre os números objetivos, não os passou. “Não tenho a informação”. Então, foi questionado sobre o suposto controle que teria. “Se não tivesse controle, você não estaria aqui, meu caro. Se não tivesse controle, você não estaria nem andando nas ruas de Fortaleza”, disse, encerrando a coletiva.
Promessa
Foram três ou quatro carros, os relatos são diferentes. De dentro dele, saíram homens armados que, com calma, começaram a efetuar disparos. O marceneiro Glauber Souza de Oliveira, de 24 anos, conta que seu pai, o comerciante Antonio José Dias de Oliveira, de 54 anos, só teve tempo de jogar o filho e a mulher para trás da barraca de lanches que mantinha na frente do Forró do Gago, em Cajazeiras, Fortaleza, cenário da maior chacina da história do Ceará. O comerciante morreu na hora.
Glauber conta que, em mensagens de áudio compartilhadas pelo WhatsApp, a chacina no bairro já vinha sendo prometida desde novembro passado. Nas ameaças, integrantes da facção GDE (Guardiões do Estado), diziam que “iam matar todo mundo” no bairro, visto como área de influência do grupo carioca CV (Comando Vermelho), facção rival ao GDE.
O rapaz conta que, apesar das ameaças, não se pensava que o ataque seria no forró. “É um forró normal, que vai todo mundo. Não era um lugar que era festa de facção. Pelo que contam, todo mundo começou a correr, mas eles entraram e começaram a atirar em um por um. Falaram que, depois que atiraram, ainda ficaram por lá mais um tempo, deram volta na rua. Só depois de uns 40 minutos foram embora”, relata.
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