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Brasil O governador paulista disse que a capacidade de produção de vacina contra o coronavírus em São Paulo está esgotada

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O governador João Doria pregou aviso de que fará “anúncio importante” às 16h desta quinta (31). (Foto: Governo de SP)

A matéria-prima para a produção de mais doses de vacina contra a covid-19 no Brasil “já foi quase que totalmente processada”, segundo informou nesta quarta-feira (20), o presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, o que esgota a capacidade de fabricação do imunizante.

O anúncio foi feito em uma entrevista coletiva convocada pelo governador João Doria (PSDB) para tratar de ações de combate à doença, em que Covas novamente apelou para que o governo federal, em especial o presidente Jair Bolsonaro e o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, se empenhem para acelerar a importação dos insumos da China.

Embora o Butantan tenha capacidade de finalizar e distribuir cerca de 1 milhão de doses por dia, essa produção depende do recebimento dos insumos. E, até que a produção atinja essa capacidade, é preciso um período de até seis dias para ajustes na fábrica do instituto, de acordo com o presidente.

“Peço ao nosso presidente, ao nosso ministro das Relações Exteriores, que nos ajude a aplainar essa relação com a China e que haja procedimentos, haja solicitação para que os procedimentos burocráticos para esta exportação aconteça no mais curto período de tempo”, disse Covas.

Na coletiva, o cenário traçado foi o seguinte: há 46 milhões de doses de vacina garantidas pelo Butantan até o mês de abril; após esse período, caso os insumos da Fiocruz cheguem (a previsão para janeiro foi adiada para março), o País poderá contar com mais 100 milhões de doses. Esse total de doses vacinaria 73 milhões de pessoas. Se o governo federal se manifestar, o que ainda não fez, poderá tentar comprar mais 54 milhões de doses de vacina produzidas pelo Butantan a partir de insumos importados da China. E a produção própria, no melhor dos cenários, só seria possível a partir de novembro.

Importação

Segundo Covas, o Butantan aguarda autorização do Ministério das Relações Exteriores da China, última instância burocrática para a exportação dos insumos, para conseguir importar mais 5,4 mil litros de matéria-prima – capazes de produzir cerca de 5 milhões de novas doses da CoronaVac. “No governo chinês, a burocracia envolve três instâncias. O Ministério da Saúde, o chamado NMPA, que é a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) da China e a aduana. Tem de passar por essas três instâncias e, adicionalmente, o Ministério das Relações Exteriores”, afirmou. “A autorização dessas três primeiras instâncias já foi dada. Aguardamos a última.”

Doria afirmou que as dificuldades são de ordem exclusivamente administrativa, sem nenhum entrave comercial. “Não há nenhuma restrição comercial nem a São Paulo nem ao laboratório Sinovac, com o qual temos tido uma relação excelente”, disse João Doria, ao lembrar que a parceria comercial entre Butantan e Sinovac vem de antes da pandemia. “A exportação de vacinas depende de autorização do governo chinês.”

“Há um mal-estar claro do governo chinês com o governo brasileiro. Isso é claro, isso é óbvio. Não é por outra razão que o presidente da Câmara Federal foi se encontrar, ainda que virtualmente, com o embaixador da China. Há um mal-estar depois de tantas agressões pronunciadas e lideradas pelo presidente Bolsonaro contra a China, contra a vacina da China, contra ‘vachina’ e as outras desqualificações que fez, e manifestações de dois de seus filhos, Eduardo e Carlos”, afirmou Doria.

Vacinação

O acordo do Butantan com o laboratório Sinovac se encerrará em abril, quando a empresa chinesa terá terminado de enviar material suficiente para produção de 46 milhões de doses. Depois disso, segundo Dimas Covas, até há a possibilidade de uma remessa a mais de material para 54 milhões de doses, mas essa segunda opção de compra está condicionada a um pedido de compra do Ministério da Saúde, que até agora não foi feito.

“Nesse momento, não existe ainda nenhuma manifestação nesse sentido (de compra de mais doses), e só tratamos das 46 milhões de doses. Estamos absolutamente ansiosos para saber se haverá a encomenda adicional dessas 54 milhões de doses porque certamente elas serão necessárias. E se houver essa necessidade já prevista por todos, seria bom que o Ministério se manifestasse para que começássemos a nos preparar para essa produção”, afirmou o presidente do Butantan.

Além da matéria-prima encomendada pelo Butantan, cujo fornecimento está sendo feito pela empresa Sinovac, o Brasil ainda aguarda material da China que será enviado para a Fiocruz, que produzirá a vacina desenvolvida pela AstraZeneca e pela Universidade de Oxford.

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