Segunda-feira, 01 de Junho de 2020

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Brasil O governo federal vai solicitar à Organização dos Estados Americanos que a Venezuela se manifeste sobre o óleo derramado no Nordeste brasileiro

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No Twitter, o ministro disse que navio da entidade estava navegando em frente ao litoral "bem na época do derramamento de óleo". (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, afirmou, na noite desta quarta-feira (23), que o presidente Jair Bolsonaro determinou que o governo federal faça uma “solicitação formal à OEA [Organização dos Estados Americanos] para que a Venezuela se manifeste oficialmente” sobre o óleo que atingiu os nove estados do Nordeste brasileiro.

“Amostras analisadas em laboratório especializado identificaram que [as manchas] não vieram de território nacional, mas provêm de território venezuelano”, disse o ministro, em pronunciamento oficial na televisão (assista no vídeo acima e leia a íntegra no fim da matéria).

Em seguida, disse que a investigação sobre a origem do problema tem como objetivo “não apenas fazer cessar o seu aparecimento no litoral brasileiro, mas também obter informações que nos permitam responsabilizar aqueles que tenham contribuído para esse desastre ambiental”.

Na terça (22), Salles havia afirmado que a prioridade do governo federal era recolher o óleo, e “lá na frente também aprofundar as causas desse acidente”.

As manchas de óleo começaram a ser avistadas na costa brasileira desde 30 de agosto. Até a noite desta quarta-feira (23), pelo menos 225 localidades de mais de 80 municípios em todos os nove estados já tinham sido atingidas.

Origem do óleo x origem do vazamento

No início de outubro, análises feitas pela Petrobras e pela Universidade Federal da Bahia (Ufba) indicaram que o material encontrado na costa brasileira tem uma composição semelhante ao petróleo produzido na Venezuela. Especialistas explicam que uma das características do produto venezuelano é ser mais denso, que é um dos aspectos óleo cru coletado nas praias do Nordeste.

O governo de Nicolás Maduro já reagiu a essa notícia, e disse que Salles foi “tendencioso” ao dizer que a Venezuela é responsável pelo petróleo que atingiu praias do Nordeste brasileiro.

O ministro brasileiro ressaltou, no dia seguinte, que o fato de o óleo ter sido originado na Venezuela não responde à pergunta sobre como ele chegou até o Brasil.

Investigação ainda sem resultados

Na noite desta quarta, Salles disse que, apesar dos esforços das autoridades brasileiras atuando na investigação até agora, a origem do óleo ainda não foi descoberta.

“Apesar desse esforço contínuo e ininterrupto, desde o começo não tem sido possível identificar as manchas de óleo ainda no mar. Por tratar-se de um material pesado, que se movimenta cerca de um metro e meio abaixo do nível da superfície, impossibilitando sua identificação e rastreamento, seja pelos sistemas de satélite e de radar ou mesmo na tentativa de visualização por barcos, aviões e helicópteros”, afirmou ele, no pronunciamento.

Plano Nacional de Contingência

O ministro também falou sobre o Plano Nacional de Contingência (PNC), que existe desde 2013 e, segundo reportagem da BBC Brasil, não foi acionado pelo governo.

Em seu discurso, Salles não chegou a diz que o PNC foi acionado, mas afirmou que um Grupo de Acompanhamento e Avaliação está “seguindo a orientação prevista” no PNC.

“Desde que as primeiras manchas surgiram, o Grupo de Acompanhamento e Avaliação, composto pelo Ibama, ANP e Marinha, vem realizando ações para a retirada do óleo encontrado nas praias. Seguindo a orientação previsa no Plano Nacional de Contingência, foi designada a Marinha do Brasil para desempenhar o papel de coordenação operacional, estabelecendo salas de comando e controle nas cidades de Salvador e Recife”, disse Ricardo Salles.

Por fim, Salles lembrou que, na terça-feira (22), o governo federal anunciou a liberação do seguro defeso a 60 mil pescadores que tiveram seu trabalho afetado por causa das manchas de óleo. Ele ainda agradeceu a participação de voluntários na limpeza das praias, ressaltando que é “imprescindível o uso de equipamentos de segurança adequados no caso de participação na retirada do óleo encontrado”, já que o material é tóxico e pode causar danos à saúde.

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