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Carlos Alberto Chiarelli O juiz bem julgado

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Moro procurou interlocutores do ex-presidente para cobrar explicação. (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editorias de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Há meia dúzia de dias, o Tribunal Federal Regional de Curitiba julgou uma ação de partidos e pessoas (não muito confiáveis) que, diante da elogiável coleção de decisões do ex juiz Sergio Moro (aliás, numa inversão em que o bandido persegue o mocinho), decidiu manter o mandato de senador (o mais votado no Paraná) de Sergio Moro. Ele se viu atacado por partidos e pessoas que, com as notórias negociatas, se haviam apoderado de verdadeiras fortunas do dinheiro público.

Basta recordar que a Polícia Federal, à época, ante uma investigação fundamentada, encontrou num apartamento (alugada por políticos, em sua maioria parlamentares) pilhas de dinheiro, que um assustado deputado federal baiano decidiu, ao desconfiar que havia alguma suspeita do local utilizado para esconder uma massa significativa de moedas, retirar o produto do delito. Enchendo uma malona, ao transportar (quando a carregava com algum esforço na rua lotada do centro de Salvador), viu que ela se abria, e o dinheiro que, na verdade, fora roubado do povo, para o povo voltava – já que o episódio provocou uma verdadeira corrida popular na caça às cédulas.

Ao ex juiz, o corajoso Sergio Moro, por força das regras processuais, coubera julgar a grande maioria dos processos instruídos por procuradores, promotores, auditores, etc., que desnudavam as vigarices de ex e, naquele então, autoridades, que tinham ocupado ou continuavam ocupando as mais altas funções da república: presidente, ministros, deputados, senadores, governadores, dirigentes de ricas autarquias (Banco do Brasil, BNDS, Banco Central) etc.

Moro, fundamentado em provas notórias e sempre respeitoso do direito de defesa dos acusados, julgou, de maneira severa, uma parceria em que os atos desonestos, altamente rentáveis, tinham assegurado verdadeiras fortunas que, em geral, associavam inidoneamente grandes empresários brasileiros e de multi nacionais com essa parceria oficial (ou oficiosa) que, até antes do surgimento da “lava-jato”, vivera acomodada no seu paraíso de vantagens obtidas por meios incorretos. Moro, depois de aproximadamente três anos de julgar uma sucessão interminável de crimes que se repetiam entre falcatruas tributárias e contínuas ofertas “de comissões corruptoras”, que foram a base sobre a qual se criou essa verdadeira ruína pública para o país, pediu o apoio do povo para ser eleito ao senado pelo estado do Paraná.

Depois de cumprir essa responsável missão de julgar, renunciou à magistratura e foi então buscar o julgamento livre da sociedade. Foi o mais votado; inclusive, vencendo tradicionais políticos, como Roberto Requião, que se tinha como mais popular por força das vitórias que tinha logrado, tanto para o senado, quanto para o governo.
Moro, ao obter praticamente dois milhões de votos, estabeleceu um recorde, que podia ser interpretado como a sua vitória ao submeter-se ao júri do povo.

Os políticos e os falsos potentados de ontem (condenados por Moro) sentiram um frio ao ver que ele iria exercer com o vigor de sempre e com o certificado de serena honestidade, que o caracterizava, o mandato de senador, que já lhe rendera em pesquisas de opinião pública a inserção voluntária de seu nome no rol dos candidatos futuros à presidência.

Fez-se no congresso uma verdadeira frente, com um número volumoso de parlamentares, que viam desenhado no horizonte político do país com a atuação da lava-jato um projeto de limpeza nas áreas quase intocáveis do poder público formada de uma verdadeira cópia da máfia siciliana.

Os temerosos aperceberam-se que estava em andamento uma possível repetição à brasileira do rigoroso e, ao mesmo tempo, perseguido por criminosos, movimento das mãos limpas (mani polite), da Itália – como no Brasil, gerou, entre os delinquentes poderosos, uma ação que teve por prioridade expulsar Moro do Congresso.

E foi esse movimento, que chegou a ser exitoso numa primeira etapa, tirando o ex juiz do senado da República através de uma série de acusações, que não tiveram a mínima comprovação, mas que conseguiram um sólido apoio de atuais parlamentares que, com medo do amanhã, acharam preferível livrar-se da fiscalização de Moro, tirando-lhe o que o povo lhe outorgara; isto é, o mandato.

No entanto, os potentados de ontem e temerosos de hoje, sentiram um frio ao ver que o processo de permanência, movido por Moro e pelo grupo, seria vitorioso. Tal ocorreu há pouco mais de uma semana, quando a demanda da expulsão de Moro, patrocinado por um grupo político dos menos confiáveis, foi julgada pelo Tribunal Federal em Curitiba, e ali se fez justiça.

Justiça justa, como diria Pontes de Miranda. Enfim, repetindo frase de um dos mais idôneos parlamentares de nossa história, Raul Pilla: “O povo honesto elege o honesto; o resto, vota no resto”.

Com isso, Moro cumprirá o mandato que o povo lhe deu.

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editorias de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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