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Saúde O Ministério da Saúde muda a comunicação e tenta ressaltar dados “positivos” do coronavírus

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Em informações veiculadas pela assessoria de imprensa e postagens nas redes sociais, o governo tem priorizado o número de recuperados da doença, em detrimento do número de casos e de mortos. (Foto: Divulgação)

Entre as trocas constantes de comando no Ministério da Saúde, uma área fundamental foi incluída nas mudanças de rumo da pasta: a comunicação. Desde a saída do ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, a área sofreu uma guinada estratégica em relação à divulgação de dados sobre o novo coronavírus. Em informações veiculadas pela assessoria de imprensa e postagens nas redes sociais, o governo tem priorizado o número de recuperados da doença.

A estratégia começou na gestão do ex-ministro Nelson Teich. Até 10 de maio, os títulos dos textos divulgados pelo Ministério da Saúde traziam o número de infectados e mortos. “Coronavírus: 162.699 casos confirmados e 11.123 mortes”, informava a pasta naquele dia. Em 11 de maio, porém, o tom mudou e o número de óbitos despareceu do título, dando lugar ao de pessoas recuperadas: “Brasil registra 168.331 casos e 67.384 pessoas estão recuperadas”.

Nos dias seguintes, o Ministério da Saúde continuou focando nos recuperados, em vez das mortes. Em 18 de maio, quando Teich não era mais ministro, a estratégia se intensificou. O ministério anunciou em seu site “uma boa notícia para começar a semana” que trazia no título informações sobre o número de brasileiros recuperados: “mais de 100 mil”. A publicação aconteceu na véspera de o país atingir a marca de mil mortes pela doença em 24 horas. Nesse dia, 19 de maio, a pasta, em vez de lamentar, comemorou: “Sobe para 106.794 o número de pessoas recuperadas da COVID-19”.

A divulgação sistemática do número de “recuperados” é resultado de uma cobrança da presidência da República para se dar ênfase em informações positivas relacionadas à crise da Covid-19, maior pandemia do século que já matou mais de 300 mil pessoas no mundo, sendo mais de 25 mil no Brasil.

A partir de 21 de abril, apenas quatro dias depois da posse do ex-ministro Nelson Teich, a assessoria de imprensa do Ministério da Saúde começou a enviar dados aos jornalistas, via lista de transmissão em um aplicativo de mensagens, sobre o número pacientes de covid-19 de recuperados no país. Na ocasião, além desses dados, o órgão informou o número de pessoas diagnosticadas, em acompanhamento e o número de óbitos. No dia seguinte, o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, pediu à imprensa que incluíssem pautas otimistas em suas produções no lugar de “caixão” e “corpo”, insistindo que havia “muita coisa positiva acontecendo” e anunciando que o então ministro, Nelson Teich, ao lado dele na ocasião, iria ressaltar o dado de “recuperados”.

Secom

Já a Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) intensificou a nova abordagem em relação à crise do coronavírus a partir do dia 23 de abril quando publicou no Twitter dados de pacientes curados e em recuperação. De acordo com a publicação, os números do Brasil estavam entre “os melhores do mundo”. Três dias depois, a Secom voltava a mencionar que o Brasil se destacava positivamente no combate à doença, com “uma das menores taxas de letalidade por milhão de habitante”.

A partir do dia 28 de abril, a Secom adotou um novo modelo para divulgar os dados positivos da epidemia: o placar da vida. Desde então, a secretaria divulga os números de pessoas infectadas pelo vírus, “brasileiros salvos” e em recuperação. Nas publicações é usada a hashtag #NinguémFicaPraTrás, que vem sendo adotada pelo governo em ações relacionadas ao novo coronavírus.

Durante coletiva de imprensa na terça-feira para atualização de informações sobre o novo coronavírus, o ministro da Casa Civil, Braga Netto, destacou o “Placar da Vida” e tentou minimizar o impacto do número de mortos no país.

O portal oficial de divulgação de dados sobre covid-19 também foi reformulado. Agora os dados relativos a casos recuperados e em acompanhamento aparecem em destaque. Antes, em primeiro plano aparecia apenas o número de casos confirmados, óbitos e a taxa de letalidade.

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