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Política O PT aprovou uma resolução política na qual apresenta suas armas para a disputa presidencial de 2026

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O documento é o primeiro aprovado sob a nova gestão do partido, desde o início de agosto liderado pelo ex-ministro Edinho Silva. (Foto: Agência Brasil)

O PT aprovou uma resolução política na qual apresenta suas armas para a disputa presidencial de 2026. O documento é o primeiro aprovado sob a nova gestão do partido, desde o início de agosto liderado pelo ex-ministro Edinho Silva. Dele se conclui que, apesar do novo comando, nada parece ter mudado nas hostes petistas.

Está tudo lá: com ares de denúncia, a identificação de inimigos externos como argumento de sustentação do projeto do partido; a construção de teorias conspiratórias, apresentadas como evidências inquestionáveis das ameaças ao País, que só tem Lula da Silva e o PT para salvá-lo; e a escolha de uma providencial bandeira, supostamente capaz de mais uma vez unir o País em torno do demiurgo petista, aquele que, pelo menos no discurso, veio para defender a democracia.

O documento afirma que nossa soberania – expressão usada eloquentes 21 vezes nas sete páginas da resolução – está sob ataque articulado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, em conjunto com o bolsonarismo e setores da direita. Para o PT, o tarifaço e as sanções impostos com a exigência de o Brasil livrar Jair Bolsonaro da cadeia não configuram só uma intromissão no trabalho do Supremo Tribunal Federal; o objetivo de Trump seria, no fundo, derrotar o “projeto de desenvolvimento nacional” do PT. E para isso, segundo o partido, o governo dos EUA usará e abusará das redes sociais e ferramentas de inteligência artificial, classificadas pelos petistas como “instrumentos de disseminação de desinformação, teorias da conspiração e discursos de ódio”. Para enfrentar tais males, diz a resolução, “é necessária a regulação das redes com legislação eficaz e mecanismos efetivos de punição”.

Em resumo, assim como em 2022 eleger Lula equivalia a salvar a democracia, em 2026 significará proteger a soberania brasileira, livrar o País do mal “fascista” representado por Trump, Bolsonaro e a direita e, de quebra, usar esses fantasmas como arma persuasiva para levar adiante uma obsessão do PT, isto é, controlar os meios de comunicação – agora sob o manto da “regulação das redes sociais”.

Lula já informou, em muitos dos seus incontáveis palanques, que pretende retomar as tratativas com o Congresso para regular as redes. Como se sabe, há meses o governo ensaia novos projetos de lei nessa área, como se a internet fosse uma terra sem lei, crimes previstos não já estivessem devidamente tipificados e o Marco Civil da Internet não estabelecesse os parâmetros de responsabilização no ambiente digital.

Os argumentos em favor dessa ofensiva regulatória são os de sempre: proteger a democracia, agora adornada pelo verniz da soberania, combater “fake news” e “discursos de ódio” e promover um “ambiente digital seguro”. No passado, uma das bandeiras preferenciais do PT era uma opaca ideia de “democratização dos meios de comunicação”, também traduzida pelo chamado “controle social da mídia”, a ser exercido por grupos sociais controlados pelo partido. Se os governos petistas não conseguiram levar adiante seu desejo, não foi por convicção democrática, e sim por falta de apoio na sociedade e no Congresso. O mais recente rosnado, no entanto, passou a ser direcionado às big techs, que para o lulopetismo se tornaram sinônimo de instrumentos a serviço da extrema direita.

Mirando ora a imprensa tradicional, ora as plataformas digitais, o sentido é o mesmo para o PT – benefícios à mídia chapa-branca e tratamento de inimigo para quem não venera o chefão petista como a encarnação do povo. Nenhuma surpresa, vindo de um partido que, malgrado posar de democrata, tem a convicção plena de que detém a exclusividade da virtude pública e costuma tratar as outras forças políticas, inclusive as democratas, ou como males a combater ou como sócios menores do poder.

A resolução política apenas reafirma tais princípios. E mostra que o PT nada aprendeu com a História e segue acreditando que o poder punitivo do Estado sobre o discurso público é a melhor arma para enfrentar a audácia de quem ousa não aceitar Lula como seu salvador. (Opinião/O Estado de S. Paulo)

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