Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 10 de julho de 2018
O sarampo é uma doença contagiosa e transmitida por secreções por meio da fala, tosse ou espirro. Os principais sintomas são febre alta, dor de garganta, coriza e irritação nos olhos. Em entrevista na manhã desta terça-feira (10), a presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Isabella Ballalai, tirou dúvidas sobre o assunto.
“É um motivo de muito orgulho para nós aqui no Brasil ter sido um dos primeiros países a erradicar o sarampo, porque era uma das principais causas de mortalidade infantil. Eu vi muita criança morrer de sarampo”, explicou.
Na segunda-feira (9), a Secretaria Estadual de Saúde confirmou dois casos de sarampo no Estado do Rio de Janeiro. As amostras dos pacientes foram analisadas pela Fiocruz, laboratório de referência do Ministério da Saúde. Os dois são casos de estudantes de UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), que estudam no Centro do Rio. Outros 14 casos suspeitos estão sendo monitorados.
A vacina tríplice viral, que protege contra o sarampo, a caxumba e a rubéola, deve ser tomada aos 12 meses. Aos 15 meses, é a vez da tetraviral, que além das doenças anteriores também protege contra a varicela, explica Isabella.
Quem não tomou a vacina ainda bebê pode receber as duas doses até os 29 anos. Dos 30 aos 49 anos, basta apenas uma dose. A partir dos 50 anos, não precisa se vacinar. Quem já teve sarampo também já está protegido.
Quem possui intolerância a leite ou lactose também não deve se preocupar, pois a vacina não apresenta nenhuma adversidade para este grupo.
A especialista em imunização lembrou que as pessoas que estão em dúvida se estão protegidas podem procurar os postos de saúde. “Quem não lembra ou não tem certeza se tomou as doses deve ir se vacinar”.
A especialista alerta ainda que a opção por não se vacinar é uma alternativa considerada por ela como irresponsável, pois leva o risco de trazer para toda a população a presença de uma doença que era considerada, até então, erradicada.
“Não façam uma coisa dessas. O sarampo mata, pode deixar cego e, quando você não se vacina, não deixa apenas você em risco. É uma responsabilidade com o outro. O que a gente está vivendo é baixa cobertura. É falta de responsabilidade de cada um de nós. Temos que estar juntos para não baixar a guarda e ter uma doença matando novamente”, destacou Isabella Ballalai.
Roraima
Quatro meses após o início da campanha de vacinação contra o sarampo em Roraima, o Estado ainda vive um surto da doença. De lá para cá o número de casos saltou de 8 para 200, um aumento de 2.200%, segundo a Sesau (Secretaria Estadual de Saúde).
No mês de março, a capital Boa Vista decretou emergência e, desde então, duas mortes foram confirmadas no Estado pelo Ministério da Saúde. A Secretaria de Saúde do Amazonas confirmou uma terceira morte no Brasil por sarampo em Manaus, em julho.
No primeiro dia da campanha em Roraima, que ocorreu em 10 de março, apenas 8 casos haviam sido confirmados. No último balanço divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde, feito na segunda-feira (9), são 200 pessoas diagnosticadas e outros 179 casos seguem em análise.
Conforme a diretora do Departamento de Vigilância Epidemiológica, Luciana Grisott, suspeitas continuam sendo registradas em todo Estado. Mesmo com o alto número, ela afirma que os casos têm reduzido a cada mês.
De acordo com a prefeitura de Boa Vista, nos últimos meses, 84 casos de sarampo foram notificados: em abril foram 57, em maio, 24, e apenas 9 no mês junho. Ainda não há um balanço sobre o mês de julho.
Dos 15 municípios de Roraima, 11 possuem registro da doença, o que levou o governo a mudar, em abril desse ano, o status de surto para epidemia, mas, atualmente, por definição do Ministério da Saúde, foi definido que o Estado vive um surto de sarampo.
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