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Mundo Olaf Scholz assume como premiê e encerra era Merkel na Alemanha

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Scholz disse que quer que a Alemanha trilhe novos rumos. (Foto: Reprodução)

Quando o Parlamento alemão confirmou o líder social-democrata Olaf Scholz como novo chanceler da Alemanha nesta quarta-feira (8), teve fim um dos capítulos mais importantes da história contemporânea do país: os 16 anos de Angela Merkel como dirigente da maior economia da zona do euro.

Merkel, que não tentou reeleição no pleito realizado em setembro e viu seu partido ser derrotado pelos social-democratas, passou o bastão para Scholz, ex-vice-chanceler e ministro das finanças de Ângela.

O caminho para a eleição de Scholz no Bundestag começou há meses, logo após a apresentação dos resultados das eleições de setembro. Apesar de liderar a legenda mais votada no pleito, o Partido Social Democrata (SPD), Scholz precisou de paciência e habilidade política para costurar um acordo de coalizão inédita com outros dois partidos: o Partido Liberal Democrático (FDP), de centro-direita, e os Verdes, ambientalista de centro-esquerda.

Lideranças das três legendas anunciaram que os termos para o acordo de coalizão haviam sido alcançados no fim do mês passado, porém cada uma das siglas precisou aprovar as resoluções internamente, antes da formalização da coligação. O documento final, de 177 páginas, foi firmado e apresentado ao público na terça-feira (7), no museu Futurium, em Berlim.

O plano do novo governo, batizado de “Dare More Progress” (“Ouse mais progresso”, em tradução livre), aponta como prioridade a contenção da pandemia da covid-19, que vem batendo recordes de contaminação dia após dia no país europeu. No entanto, além da questão emergencial, é possível identificar como aspectos centrais do plano de governo a preocupação com as mudanças climáticas, a modernização da economia e a introdução de políticas sociais mais liberais — pontos que revelam o papel ativo de verdes e liberais na definição das “linhas mestras” do acordo.

“Nós dissemos que queríamos nos aventurar por mais progresso, e desta semana em diante nós queremos trabalhar pelo progresso”, disse Christian Lindner, líder do Partido Democrático Liberal e futuro ministro das finanças. Enquanto isso, Robert Habeck, líder dos ambientalistas e novo ministro da Economia e do Clima, afirmou que “a grande tarefa da nossa geração” será resolver a tensão entre questões ecológicas e necessidades econômicas. “Isso domina todo o acordo de coalizão e será, além de todas as outras crises, a tarefa central deste governo”, disse em entrevista coletiva.

A união entre os três partidos — que tinham diferenças marcantes antes da eleição — foi alcançada com relativa rapidez na visão de analistas e, pelo menos em público, ocorreu com uma harmonia inesperada. Os termos do acordo foram aprovados por SPD e FDP em encontros dos partidos durante o último fim de semana, sendo aprovados por 90% dos representantes. Os Verdes submeteram o texto a uma eleição aberta, que teve a participação de cerca de 71 mil membros do partido, e ainda assim alcançaram 86% de aprovação.

“Se a boa cooperação que funcionou enquanto estávamos formando o governo continuar a funcionar, será um momento muito, muito bom para as tarefas que temos pela frente”, disse Scholz.

Após a apresentação do plano, o líder social-democrata comentou sobre alguns temas da agenda internacional. Scholz antecipou que o novo governo vai priorizar a aproximação e o trabalho com democracias ao redor do mundo e que pretende estreitar e fortalecer os laços com parceiros da União Europeia — confirmando que sua primeira viagem internacional deve ter como destino Paris.

O novo chanceler alemão também criticou a movimentação militar russa na fronteira com a Ucrânia. “Precisa ficar muito, muito claro que seria uma situação inaceitável se houvesse uma ameaça à Ucrânia”, disse, ressaltando que a fronteira do país europeu não pode ser violada.

Novo começo

Com a maioria garantida no Parlamento, a transferência de poder acontece de maneira imediata, e a centro-esquerda retorna ao poder pela primeira vez desde o governo de Gerhard Schröder (chanceler de 1998 a 2005). Em contrapartida, Merkel — primeira mulher a governar o país — deixa o cargo após 5.860 dias, apenas nove a menos do que seu mentor, Helmut Kohl.

A trajetória de Merkel é marcada por momentos de brilho, como a recepção dos migrantes em 2015 e sua aptidão para administrar crises, mas também pela falta de ambição na luta contra a mudança climática e na modernização da Alemanha. No balanço, pesam a favor dela quatro reeleições por meio de um processo democrático estabelecido.

“Angela Merkel foi uma chanceler que teve êxito”, elogiou Scholz, ao homenagear uma governante que “permaneceu fiel a ela mesma durante 16 anos marcados por várias mudanças”. Apesar da homenagem, o novo chanceler não nega que pretende trilhar seu próprio caminho.

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