Sexta-feira, 25 de Setembro de 2020

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Brasil Operador de propina do PSDB discute com sua filha como declarar dinheiro vivo

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Desembargadores do TRF-4 determinam deslocamento de processo contra Paulo Vieira de Souza (foto), preso desde fevereiro por suspeita de corrupção. (Foto: EBC)

Uma troca de mensagens entre o ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza, preso na Operação Lava-Jato sob suspeita de operar para políticos do PSDB, e sua filha Priscila Arana de Souza, revela que ambos discutiam como declarar dinheiro vivo que estocavam em casa.

Vieira de Souza já está condenado à mais alta pena da história da Lava-Jato. A juíza Maria Isabel do Prado, da 5.ª Vara Federal Criminal de São Paulo, impôs a ele 145 anos e oito meses de prisão por peculato de R$ 7,7 milhões na Dersa. Ele também já foi sentenciado a 27 anos e 8 dias por crimes de cartel e fraude em contratos da Desenvolvimento Rodoviário S/A em São Paulo.

Apesar de sentenciado em São Paulo, ele está preso desde 19 de fevereiro, no âmbito da Operação Lava-Jato no Paraná, onde já foi denunciado também por lavagem de R$ 100 milhões – o dinheiro teria abastecido o departamento de propinas da Odebrecht, com o fim de pagar propinas a ex-diretores da Petrobrás. Vieira de Souza está sob suspeita de operar propinas para políticos do PSDB.

No dia de sua última prisão, ele demorou a atender a porta, que quase foi arrombada pelos federais. Em sua casa, nenhum aparelho foi encontrado, apesar de dezenas de cabos de carregadores estarem conectados à tomada.

A pedido do MPF (Ministério Público Federal), a Justiça quebrou o sigilo telemático da nuvem do ICloud de endereços eletrônicos de Paulo Vieira de Souza, de sua mulher e da empresa Magna Freitas Carvalho. O resultado do afastamento do sigilo apontou a existência de um número de telefone ligado ao ex-diretor da Dersa, usado “pelo menos, para a troca de mensagens através do aplicativo WhatsApp”.

Em uma análise sobre as trocas de mensagens, a PF encontrou uma discussão em que sua filha, Priscila, estaria resistindo a manter suas declarações ao Fisco com a informação de que guardava dinheiro vivo.

“Se eu pagar a escola pelo boleto direto do banco eu continuo com valor alto em numerário em casa aparecendo no meu IR!! Contudo, quando entrasse um dinheiro mais para frente, eu poderia simplesmente depositar na Previdência e dizer que o numerário que está a anos em ‘casa’ eu resolvi colocar no banco. Qual seria a diferença?”, questionou.

“Porque hoje por mais que eu queira demonstrar que paguei a escola em dinheiro para retirar da minha casa, também retirei 100 mil da minha aplicação de Previdência, o que consta no banco. Ou seja, dá na mesma”, disse Priscila ao pai. As conversas são de maio de 2018. Pouco tempo depois das reclamações sobre o dinheiro vivo, ela envia a Vieira de Souza dois comprovantes de saques de R$ 41.000,00.

O ex-diretor da Dersa respondeu à Priscila: “Pri, Para colocar no IR recursos em moeda em casa, foi necessário origem oficial, ou seja saindo de banco , para ir baixando o valor, basta reduzir gradualmente ou doações até o limite de R$ 50 mil por CPF, devidamente declarados”.

Ela volta, então, a ressaltar que não quer mais declarar dinheiro em casa. “Pai, vou pegar nota de tudo que eu pago em dinheiro [mesmo que demore]. Vidraceiro, pintor, etc… vou abater tudo e deixar zerado. Não quero nada na minha ‘casa’, nenhum tostão.” “Chega de encrenca, quero dinheiro por dentro. Cartão!”, disse.

Em outra mensagem, Vieira de Souza sugere. “Não tinha conhecimento desta resolução restritiva do Banco Central para evitar movimentação acima de R$ 10 mil. Os fornecedores teriam que fracionar boletos no caso de pagamentos quando se quer, Ex: R$ 9 mil x 9 = R$ 81 mil”. Vieira de Souza e a filha ainda discutem sobre a possibilidade de “traição” do motorista da família. “Para divulgar as irregularidades, precisa fazer parte também do ato, ou seja delas”, disse o ex-diretor da Dersa.

Outro tema conversado entre pai e filha é um dos pivôs de uma das denúncias oferecidas contra o suposto operador do PSDB na Lava-Jato: Trata-se da casa no Guarujá, litoral paulista, que, segundo o Ministério Público Federal, foi paga, em parte, no exterior, com ajuda do doleiro Rodrigo Tacla Duran.

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