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Economia Paradoxo: guerra no Irã ajuda as finanças do Brasil

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No mês passado, o governo central registrou superávit primário de R$ 25,198 bilhões. (Foto: Reprodução)

O mês de abril foi o primeiro em que os efeitos da guerra sobre os preços do petróleo começaram a impactar a arrecadação, sobretudo por meio das receitas de participação especial e royalties, explicou nesta última semana o secretário-adjunto do Tesouro Nacional, David Athayde. O conflito eclodiu em março.

As receitas com exploração de recursos naturais tiveram uma alta real de 9,8% no mês passado, ante abril de 2025, de acordo com o Relatório do Tesouro Nacional (RTN) divulgado na quinta-feira.

Já a arrecadação com imposto de exportação de petróleo deve começar a impactar os dados apenas em maio. “Tem um ‘lag’ (intervalo) entre a exportação em si do petróleo e quanto isso afeta a arrecadação”, explicou Athayde. O Imposto de Exportação foi recriado temporariamente pelo governo federal, com uma alíquota de 12%, visando compensar os subsídios dados aos produtores e importadores de diesel no Brasil.

No mês passado, o governo central registrou superávit primário de R$ 25,198 bilhões, conforme divulgado pelo Tesouro Nacional. Foi o maior para o mês em termos reais desde 2022, segundo o Tesouro Nacional. A série tem início em 1997.

Segundo o economista Fábio Serrano, do BTG Pactual, o petróleo começou a impulsionar a receita, mas o impacto cheio ainda está por vir. Apesar de o resultado mensal ter ficado um pouco abaixo da projeção do BTG, que estimava superávit de R$ 27,7 bilhões, e ligeiramente acima da mediana do mercado – de R$ 24,7 bilhões, os dados não trouxeram novidades relevantes.

“Os desvios foram disseminados e concentrados em itens voláteis. A divulgação segue apontando para arrecadação forte, mesmo antes do novo imposto sobre exportação sensibilizar os dados. Seguimos projetando cumprimento da meta, após as exclusões previstas no arcabouço”, disse ele em nota.

No acumulado de 12 meses, o governo central teve déficit de R$ 130,6 bilhões, o equivalente a 0,97% do Produto Interno Bruto (PIB). Os dados levam em conta Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central (BC) e excluem despesas com a dívida pública.

A receita líquida do governo central registrou alta real de 5,8% em abril (contra o mesmo mês de um ano antes), somando R$ 235,3 bilhões. Enquanto isso, as despesas totais subiram 7,8% na mesma comparação, alcançando R$ 210,1 bilhões.

Já no acumulado do ano a receita líquida alcançou R$ 861,9 bilhões (alta de 4,6%), enquanto as despesas totais somaram R$ 853,3 bilhões (alta de 14,2%). A alta dos gastos no ano reflete a antecipação do pagamento de precatórios em março e uma execução mais concentrada das despesas discricionárias no primeiro semestre, em razão do calendário eleitoral.

O gasto com o Beneficio de Prestação Continuada (BPC) veio menos pressionado em abril do que em março, quando havia registrado alta de 16% em relação ao mesmo período de 2025. Em abril, o aumento foi de 4,9% em comparação ao mesmo período no ano passado.

Para Serrano, o resultado indica que a reversão da fila não será um processo linear. “Isso reforça nossa expectativa de que parte do bloqueio anunciado no último (relatório) bimestral será revertida ao longo do ano.”

No último dia 22, o governo federal anunciou um bloqueio adicional de R$ 22,1 bilhões em gastos no Orçamento deste ano. A medida busca abrir espaço para acelerar a redução da fila do INSS. As informações são do jornal Valor Econômico.

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