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Ali Klemt Parasitismo institucionalizado

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(Foto: José Cruz/Agência Brasil)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Um milhão e meio de reais do nosso dinheiro… e para onde vai? Não, não é para construir escolas, melhorar hospitais ou pagar o salário atrasado de professores. É para que 27 ministros do Tribunal Superior do Trabalho tenham uma sala VIP no aeroporto de Brasília, livrando-os do constrangimento de cruzar com “pessoas inadequadas”. Pessoas inadequadas, no caso, somos nós: os cidadãos que bancam essa mordomia.

E não para por aí. O mesmo TST também decidiu investir em carros de luxo — R$ 350.000,00 cada. Porque, claro, juízes e ministros precisam se locomover em segurança, conforto e status. Afinal, nada mais justo do que usar o nosso dinheiro para que eles não precisem experimentar o desconforto da realidade.

Eu não sou contra luxos. Acho ótimo quando alguém trabalha duro, cresce na vida e conquista conforto. Meritocracia, eu diria. Acontece que juízes e ministros não são empresários, não são investidores, não são empreendedores. São funcionários públicos. Simples assim. E o salário de funcionário público, lembre-se, é pago pelo cidadão: vem do mesmo bolso que banca a cesta básica a R$ 800,00, o combustível a preço de ouro, plano de saúde para não precisar ficar na fila do SUS e escola particular porque a pública é precária demais. Ou até pior: é pago por quem é obrigado a usar os serviços públicos porque não pode pagar pelos privados. Mas o imposto? Ah, esse é inescapável!

Quer luxo? Maravilha. Vá para a iniciativa privada, corra riscos, abra empresa, gere empregos e lucre. Aí sim, compre o carro que quiser e desfile na sala VIP que bem entender. E eu aplaudo. Aplaudo quem conquista, ainda mais no Brasil — esse país que parece ter como esporte nacional derrubar o empresário. E ainda temos que ouvir falar em “justiça social”. Ah, vá!…

O mais triste, contudo, é que nem dá pra culpar apenas os ministros, pois o buraco é mais embaixo. Trata-se de uma cultura inteira que alimenta esse sistema. Crescemos ouvindo que o maior sonho de um jovem é “passar em concurso público”. O objetivo não é inovar, empreender, criar, gerar riqueza. O objetivo é a estabilidade. Não é sonho de estabilidade, é doutrina de dependência. Pior: é a ilusão de “mamar” pelo resto da vida, porque é assim que vemos os cofres públicos — como fonte inesgotável de dinheiro.

Isso é uma doutrinação silenciosa, mas muito eficaz. Crianças passam anos decorando leis, fórmulas e burocracias apenas para conseguir a tal estabilidade. Enquanto isso, deixamos de estimular mentes criativas para a ciência, para a tecnologia, para a criação de novas empresas e soluções que poderiam mudar o país. A consequência? Um exército de sanguessugas do erário, sugando recursos que poderiam estar multiplicando oportunidades.

É uma inversão perversa. Em vez de celebrarmos quem arrisca, quem cria, quem empreende, glorificamos quem consegue uma vaga garantida no Estado. Não é à toa que tantos países disparam em crescimento econômico enquanto o Brasil patina. Nossa juventude não é treinada para sonhar grande, mas para estudar para a prova do concurso.

Precisamos romper esse ciclo. O Brasil não aguenta mais sustentar castas privilegiadas que se blindam em carros de luxo e salas VIP, enquanto a maioria da população mal tem transporte decente para ir trabalhar. Precisamos valorizar quem produz, quem cria, quem gera emprego e riqueza. Só assim vamos inverter a lógica de um país que hoje premia a dependência e castiga a ousadia.

Enquanto o trabalhador acorda cedo, encara transporte lotado e volta para casa exausto, os ministros do TST desfilam em carros de luxo e se escondem em salas VIP para não terem que ver quem paga a conta. O problema é que, nesse Brasil, quem deveria ser VIP é o contribuinte. O resto é abuso com recibo oficial.

E para que fique bem claro, eu pergunto (mas também respondo):

viver de dinheiro público e ainda exigir mordomias?

Não.

Isso não é luxo.

É parasitismo institucionalizado.

Ali Klemt

@ali.klemt

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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