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Olimpíada Por que tantas autoridades estão mergulhando no Rio Sena, em Paris, e qual o seu estado às vésperas da Olimpíada

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Prefeita de Paris cumpriu promessa de nadar no Rio Sena. (Foto: Getty Images)

O trecho entre as pontes Marie e Sully, no coração histórico de Paris, serviu de cenário para um dia atípico na última quarta. Policiamento reforçado, rua isolada, centenas de curiosos e 150 jornalistas de todo o mundo. Tudo isso para ver a prefeita Anne Hidalgo, outras autoridades e nadadores da federação francesa de triatlo entrarem no Rio Sena, que receberá as competições de maratona aquática e do próprio triatlo, além da cerimônia de abertura dos Jogos. Um mergulho simples que poderia ser banal em diversos locais do mundo. Mas não ali.

No último sábado (13), a Ministra do Esporte do país Amélie Oudéa-Castera já havia feito o mesmo ao lado do triatleta paralímpico Alexis Hanquinquant. E ainda há expectativa (e cobrança) para que o presidente Emmanuel Macron também entre naquelas águas. Mas, afinal, por que o mergulho de autoridades no Sena se tornou tão importante?

A despoluição daquele que é um dos símbolos de Paris foi anunciada como grande legado dos Jogos para a população durante a candidatura e após a escolha da cidade como sede. Algo semelhante à tentativa do Rio de Janeiro de limpar a Baía de Guanabara para a Olimpíada de 2016 — meta não atingida. O objetivo sempre foi tratado com desconfiança pelos franceses, que se mantêm céticos em relação à promessa de liberar o Sena para toda a população no verão de 2025.

A poluição do rio francês é centenária. Desde 1923 é oficialmente proibido mergulhar nele. Uma brigada fluvial patrulha constantemente as águas para evitar que a medida seja desrespeitada. No início dos anos 1960, cientistas chegaram a considerá-lo quase biologicamente morto, com apenas três espécies de peixes ainda encontradas. Para duas — ou até três — gerações, o Sena sempre foi sinônimo de um lugar impensável para banho.

“Sem os Jogos, nós não teríamos conseguido. Imaginem daqui um ano, um local para se banhar aqui, uma piscina, com todos que poderão vir nadar. Os Jogos foram o motor, o acelerador. Mas nós fazemos porque precisamos adaptar nossas cidades às mudanças climáticas”, disse a prefeita.

O mergulho de Hidalgo fez os franceses lembrarem do compromisso não honrado de Jacques Chirac. Em 1990, o então prefeito de Paris — e que se tornaria presidente cinco anos depois — prometeu entrar no Sena despoluído diante de testemunhas, o que nunca chegou a acontecer.

Vexame em 2023

O investimento total no projeto de despoluição foi de 1,4 bilhão de euros (R$8,33 bilhões). A principal aposta foi a construção da bacia de Austerlitz, um tanque com 50 metros de diâmetro e mais de 30 metros de profundidade sustentado por vinte pilares que lhe conferem um aspecto de catedral subterrânea. Possui capacidade para armazenar até 50 mil m³ — o equivalente a 20 piscinas olímpicas — de água de chuva para evitar que o sistema e esgoto da capital sobrecarregue e leve resíduos para o Sena.

Em agosto de 2023, antes da inauguração da obra, veio o grande vexame. A etapa da Copa do Mundo de maratona aquática, que seria realizada no Sena e valeria como evento teste para os Jogos, precisou ser cancelada. Os franceses apostaram no fato de que chove pouco no período. Mas não foi o que ocorreu.

Só que, mesmo depois da inauguração do mega tanque, em maio, os níveis de poluição não baixaram. Mais uma vez, as chuvas estavam muito acima da média. O próprio banho de Hidalgo chegou a ser adiado duas vezes.

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