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Geral Lojas suspendem vendas em meio a descontrole de preços na Argentina

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Consultorias argentinas estimam que 2023 se encerre com taxa de inflação acumulada de mais de 170%. (Foto: Reprodução)

Dois dias depois do surpreendente resultado das eleições primárias na Argentina, o argentino encontrou na terça-feira (15) várias prateleiras vazias e teve dificuldades para encontrar produtos para automóveis, eletrônicos e eletrodomésticos, bem como itens essenciais como papel higiênico. A razão foi a forte reação do mercado à vitória de Javier Milei e a cartada do governo de desvalorizar drasticamente a moeda. Sem conseguir definir preços diante da turbulência, produtores e lojistas tiraram seus produtos de circulação.

Frente à incerteza que uma eleição de triplo empate traz ao cenário argentino, o peso argentino perdeu cerca de 20% do seu valor e o dólar oficial saltou para 365 pesos ante um fechamento de 298 na sexta-feira antes das eleições. No mercado paralelo, o dólar chegou a ultrapassar a barreira dos 700 pesos. A consequência chegou nessa terça ao bolso dos argentinos que viu uma alta tão grande de preço dos produtos que muitos deles sumiram.

Muitos fornecedores, principalmente de produtos importados ou com preços atrelados ao dólar, preferiram suspender suas vendas até conseguir definir os preços. “Ontem, o único insumo que tinha preço eram as sacolas. Os preços não mudaram, mas como são cotados em dólares, o valor em pesos subiu tanto quanto a desvalorização”, afirmou um fornecedor ao caderno rural do jornal Clarín.

“A vitória de Milei foi fora de todas as expectativas, isso para os mercados é uma coisa não esperada e gera uma incerteza ainda maior”, explica o economista da Universidade Católica Argentina Juan Carlos Rosiello. “Por isso que os preços subiram. O câmbio deu um salto e aí governo se antecipou a isso e fez uma forte desvalorização do câmbio oficial”.

Com a desvalorização de 20%, todos os produtos que tenham algum tipo de associação ao dólar tendem a aumentar na mesma medida nos próximos dias. “É por isso que hoje não tinha mercadoria. Tudo o que tem a ver com importação, desde remédios a até carros, eles tiraram de circulação e diziam que não tinha, porque não havia preço”.

A tendência, afirma o economista, é que a situação se estabilize na próxima semana, mas mesmo quando estabilizar será com um aumento de 20% do valor.

No entanto, o Indec, instituto de estatísticas da Argentina, publicou nessa terça que a inflação de julho subiu para 6,3%, frente os 6% de junho, totalizando uma taxa anual de 113,4%. O dado, porém, não considera a forte desvalorização e consultoras já projetam que a inflação de agosto terá dois dígitos.

Na intenção de impedir que essa desvalorização chegue ainda mais ao bolso do consumidor, o que prejudicaria a candidatura a presidente do ministro da Economia, Sergio Massa, membros da pasta convocaram empresas e supermercados a conter os preços dos produtos. Segundo jornais argentinos, lojistas e distribuidores de alimentos e bebidas receberam novas tabelas de preços.

“Em alguns casos, eles enviam as listas com todos os aumentos de dois dígitos. E em outros, seus pedidos são suspensos diretamente”, afirmou um diretor de uma rede de supermercado ao jornal La Nación. Seu temor, desabafa, é que as lojas fiquem desabastecidas e só restem estabelecimentos chineses com produtos na prateleira.

Terminou também na terça o controvertido programa Preços Justos de Massa, que buscou congelar os preços até as primárias. Para evitar um aumento que somaria o fim do programa com a desvalorização, o secretário de Comércio Matías Tombolini convocou os lojistas para uma reunião.

Jornais argentinos chegaram a noticiar que o governo havia também suspendido as exportações de carne por 15 dias na intenção de negociar preços, mas membros do ministério negaram a informação horas depois. “Estamos negociando os preços da carne para o mercado interno e não há suspensões na exportação de carnes”, escreveu o secretário de Agricultura, Juan José Bahillo, na rede social X.

O medo é que com a desvalorização promovida pelo governo, o valor da carne salte nos açougues até o fim de semana. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo e da agência de notícias AFP.

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