Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 21 de março de 2023
“Aquele BNDES acanhado acabou”, disse Aloízio Mercadante
Foto: Tomaz Silva/Agência BrasilO presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, afirmou que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, pode esperar dele “total lealdade e parceria”, após comentar, em discurso, que o Ministério da Fazenda está para anunciar o novo arcabouço de regras fiscais, mas defendeu a participação da instituição de fomento no debate. “Estamos aguardando novo arcabouço (fiscal). O (ministro Fernando) Haddad pode esperar de mim total lealdade e parceria”, disse Mercadante, ao abrir um seminário sobre temas econômicos anunciado por ele ainda no início do ano.
“Agora, não nos peçam para deixar de dizer o que pensamos e ajudar o governo a acertar”, acrescentou Mercadante no evento, promovido pelo BNDES com o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). “Aquele BNDES acanhado acabou”, por isso, disse Mercadante, “não adianta tentar inibir o BNDES”, porque “não haverá censura”.
A criação da Comissão de Estudos Estratégicos, coordenada pelos economistas André Lara Resende e José Roberto Afonso, e a organização do seminário haviam sido anunciados em janeiro por Mercadante. No dia seguinte à posse, em fevereiro, ele afirmou que a nova âncora fiscal seria debatida pela comissão e durante o seminário, o que despertou conversas de bastidores sobre possíveis rusgas entre ele e Haddad – à época minimizadas por ambos.
Mudança nos juros
Mercadante defendeu a coordenação entre as políticas fiscal e monetária, como “indispensável”, mas voltou ressaltar a importância de mudar a TLP, taxa de juros que baliza os financiamentos do BNDES. Ele reconheceu que os “subsídios” fiscais embutidos nos financiamentos do banco podem ter sido “superiores ao necessário no passado recente”, mas repetiu que nos últimos anos o BNDES devolveu ao Tesouro Nacional cerca de R$ 250 bilhões a mais do que recebeu.
Mercadante também defendeu a ação da política econômica para lidar com a desaceleração da economia. “A perspectiva para este ano é de crescimento muito baixo, abaixo de 1%. Precisamos reagir, não podemos aceitar que continue assim”, disse.
Ele propôs a “prorrogação” do FGI Peac, principal medida adotada pelo banco de fomento para mitigar os efeitos da crise causada pela covid-19. Segundo
ele, diante do quadro de escassez de crédito na economia, o programa, por meio da concessão de garantias para empréstimos de bancos comerciais, é importante para enfrentar o problema.
Aliança com Alckmin
No início do discurso, ao saudar o vice-presidente Geraldo Alckmin, também ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, presente na abertura do seminário, disse que o ex-governador fez uma “aliança improvável, complementar e imprescindível” para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, “fundamental para a nossa vitória”.
Questionado sobre posicionamentos de petistas contrários ao controle de gastos públicos, como os da presidente do partido, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), Mercadante respondeu: “O PT é um partido plural, de massas, relevante, mas não acho que o problema do novo arcabouço seja o PT. O problema é fazer uma maioria no Congresso Nacional que dê sustentabilidade e respeite a decisão que o governo tomar”.
Os comentários estão desativados.