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Brasil Presidente do Senado defende sistema que reduz poder de Dilma

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Calheiros explicou ser necessário evitar a impressão de que a presidência da Casa esteja extrapolando suas funções (Foto: Ailton de Freitas/AG)

Considerado o último obstáculo ao desligamento completo do PMDB do governo Dilma Rousseff, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse a aliados que considera o impeachment a “saída mais traumática” para a crise, mas prega que qualquer outra alternativa passa obrigatoriamente pela diminuição dos poderes da petista no Palácio do Planalto.

A narrativa vai ao encontro da ofensiva que ele deflagrou ao lado do senador José Serra (PSDB-SP) em nome da implantação do “semipresidencialismo” no Brasil. Aliados de Calheiros dizem que a mudança poderia ser uma “saída honrosa” para a petista, que, para evitar o impeachment, teria que aceitar dividir seus poderes com a figura de um primeiro-ministro escolhido pelo Congresso.

Haveria ainda outra opção para reduzir a influência de Dilma nos rumos do governo: a entrada do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um ministério. Segundo pessoas próximas, Calheiros acredita que o ingresso de Lula poderia dar alguma sobrevida à gestão do PT.

Isso, no entanto, só aconteceria se o ex-presidente tivesse carta branca para fazer mudanças profundas, o que, na prática, também significaria esvaziar Dilma. Há, nesse cenário, um problema, admitem aliados do peemedebista. Lula vem sendo alvejado por investigações sobre sua conduta, assim como o próprio presidente do Senado, que é alvo da Lava-Jato.

A incógnita que cerca os desdobramentos da operação faz com que Calheiros se mantenha em posição dúbia sobre o petista. Nos último dias, o senador deu duas demonstrações dessa hesitação. Primeiro, logo após tomar um café da manhã com o ex-presidente, disse à imprensa que planejava também se reunir com os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e José Sarney (PMDB) para ouvi-los sobre o cenário nacional.

Com isso, sinalizou que, se era para ouvir ex-presidente, ouviria todos. Logo depois, no mesmo dia em que esteve com Lula, jantou com a cúpula do PSDB no Senado. Do encontro, surgiu a primeira sinalização formal de que o PMDB e os tucanos vão “trabalhar juntos para encontrar uma saída para a crise”. (Daniela Lima/Folhapress)

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