Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 5 de novembro de 2017
O economista-chefe do Banco Safra, Carlos Kawall, considera que as projeções de inflação do Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) já comportam uma taxa Selic (básica de juros) abaixo de 7% ao ano no fim do atual ciclo de distensão monetária.
A ata do Copom, divulgada na última terça-feira (31), projeta uma inflação de 4,3% em 2018, assumindo a trajetória para a taxa Selic prevista pelo mercado. No documento, o BC descreve essa trajetória como “taxas de juros de 7% ao ano ao final de 2017 e 2018, elevando-se para 8% ao longo de 2019”. Essa projeção mostra que, com juros de 7% ao ano, a inflação fica perto da meta de 2018, de 4,5%, por isso não há muito espaço para cair abaixo desse percentual.
Mas Kawall chama a atenção para a trajetória mensal da taxa Selic prevista pelos analistas econômicos entre o começo e o fim de 2018, que conta uma história diferente. Ela inclui uma queda de 0,25 ponto percentual na Selic em fevereiro, para 6,75% ao ano, e uma alta de 0,25 ponto percentual em novembro, para 7% ao ano. Ou seja, a inflação ficaria em 4,3%, perto da meta, mesmo com o juro caindo temporariamente abaixo de 7% no ano que vem.
“O Focus foi nessa direção porque os analistas de mercado previam o fim do ciclo de corte de juros em ‘escadinha’, com um corte final de 25 ponto”, lembra o economista. Isto é, o Copom cortaria os juros em 0,75 ponto em outubro, para 7,5% ao ano (como de fato cortou na semana passada); seguido de baixa de 0,5 ponto em dezembro, para 7% ao ano; e um movimento final de 0,25 ponto em fevereiro, para 6,75%.
A visão de Kawall é que essa escadinha já era parte da projeção condicional apresentada pelo Copom tanto no seu comunicado da semana passada quanto na ata. Depois que o Copom tirou a indicação de um fim gradual de juros – e, portanto, eliminou a sinalização dessa escadinha -, aumentaram as chances de um corte de 0,5 ponto percentual em fevereiro, opina o economista.
O Safra aposta que o ciclo de distensão terminará com um corte de 0,5 ponto percentual em fevereiro, para 6,5% ao ano. Essa aposta se baseia tanto no fato de que, na visão do banco, a projeção condicional do BC já permite juros abaixo de 7% ao ano quanto na avaliação do Safra de que essa mesma projeção tende a ficar mais favorável nos 63 dias que separam as reuniões do Copom de dezembro e fevereiro.
Kawall lembra que, na gestão Ilan Goldfajn, o BC tem estimulado o mercado a entender a sua função-reação, ou seja, como pretende reagir à evolução de variáveis que a autoridade considera importantes, incluindo projeções de inflação, inflação subjacente, expectativas, ociosidade da economia e balanço de riscos. “Com os olhos de hoje, esse conjunto de informações que o BC nos estimula a seguir parece sinalizar que é possível juros abaixo de 7%”, disse Kawall.
Outros analistas vinham defendendo a tese de que, como a projeção do BC para 2018, de 4,3%, está abaixo da meta para o ano, de 4,5%, isso por si só abriria espaço para juros abaixo de 7%. Mas o BC indicou em setembro que a projeção de 4,3% significa que a inflação esperada está basicamente na meta, porque há incertezas em projeções num prazo tão longo.
Kawall concorda que a projeção de 4,3% do BC está perto da meta. Mas pondera que o consenso do mercado é uma inflação de 4,02% em 2018 e, apesar de revisões devido ao reajuste da energia elétrica, há espaço para as projeções do BC se aproximarem desse percentual. “A aposta é que esses 4,3% projetados pelo BC para 2018 podem vir um pouco mais para baixo”, diz.
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