Quinta-feira, 09 de Julho de 2020

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Mundo Protestos contra o assassinato de George Floyd acirram ainda mais as discussões sobre a brutalidade policial e o racismo estrutural nos EUA

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Os protestos contra o assassinato de George Floyd entram em seu 11º dia. (Foto: Reprodução)

Dois policiais da cidade de Buffalo, no estado de Nova York, foram suspensos sem direito a salário após serem filmados empurrando um homem de 75 anos, que foi hospitalizado com lesão cerebral. Incidentes similares também foram gravados durante protestos contra o assassinato de George Floyd, que entram em seu 11º dia, acirrando ainda mais as discussões sobre a brutalidade policial e o racismo estrutural no país.

Capturadas por uma rádio local, as imagens mostram o idoso branco, cuja identidade não foi revelada, caminhando até os policiais durante uma manifestação. O homem, então, para e diz algo, mas em seguida é empurrado por um policial. Outro agente põe sua arma sobre o peito do manifestante, enquanto um terceiro policial o ameaça com um cassetete. O senhor rapidamente cai no chão, com sangue saindo de seu ouvido esquerdo. Um policial chega a se abaixar para examiná-lo, mas é afastado por um colega. Diversos agentes passam pela cena, mas nenhum presta ajuda ao manifestante, que está internado em estado grave, mas estável, segundo o prefeito Byron Brown.

Inicialmente, o departamento de polícia da cidade disse que o idoso havia “tropeçado” durante uma “discussão nos protestos. Com a viralização das imagens, o chefe de polícia, Jeff Rinaldo, disse que a declaração havia sido dada por dois policiais que não estiveram diretamente envolvidos no incidente e que foi aberta uma investigação para avaliar o caso. Em uma nota, o governador Andrew Cuomo disse que a polícia “deve fazer cumprir — e não abusar — da lei” e afirmou que os agentes foram suspensos.

No começo da tarde, os 57 integrantes da unidade policial envolvida no incidente anunciaram que deixariam suas funções nas atividades de controle de protestos, mas sem pedir demissão da polícia. O sindicato que representa os policiais, segundo o jornal Buffalo News, disse que não pagaria mais despesas legais de casos relacionados às manifestações, mas criticou a forma como os dois policiais estão sendo tratados.

“Nossa posição é a de que os policiais estavam simplesmente seguindo ordens do vice-comissário de polícia, Joseph Gramaglia, para liberar a praça”, afirmou o presidente do sindicato, John Evans, ao Buffalo News. “Eles estavam simplesmente fazendo seu trabalho. Não sei quanto contato foi feito. Ele escorregou, na minha opinião. Caiu para trás”.

A violência policial está no centro da discussão pública nos EUA desde o assassinato de Floyd, no dia 25 de maio, um homem negro asfixiado até a morte por Derek Chauvin, um policial branco em Minneapolis. As imagens do crime foram capturadas por uma câmera e viralizaram na internet, desencadeando as maiores manifestações nos EUA contra o racismo desde 1968, por ocasião do assassinato de Martin Luther King.

De acordo com a polícia de Minneapolis, a partir desta sexta-feira os agentes não usarão mais técnicas de estrangulamento nas ruas. A medida, vista como uma tentativa de retomar pelo menos parte da credibilidade dos policiais, também inclui a obrigação para que os policiais intervenham e relatem qualquer abuso no uso da força.

“A justiça para George requer mais que punir os homens que o mataram — requer que as lideranças eleitas realizem reformas estruturais profundas”, afirmou o prefeito Jacob Frey, em comunicado.

Também nesta sexta-feira, o governador da Califórnia, Gavin Newsom, disse que a polícia estadual vai abandonar as técnicas de estrangulamento que levaram à morte de George Floyd.

Incidentes similares

Em um memorial na quinta-feira, o reverendo Al Sharpton, que passou 40 anos na vanguarda do ativismo político racial nos EUA, disse que Floyd “morreu por causa do mau funcionamento da polícia neste país”. No mesmo dia de seu assassinato, um segundo homem negro, Dion Johnson, foi morto por policiais após ser encontrado dormindo em um carro que bloqueava parcialmente o trânsito. Ele foi baleado após um pequeno confronto com os agentes de segurança.

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