Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 8 de setembro de 2015
A iniciativa da Apple para facilitar o bloqueio de anúncios nos iPhones e iPads está criando problemas para editoras e ampliando as tensões com seus vizinhos do Vale do Silício. A próxima versão do sistema operacional para dispositivos móveis da Apple, que deve ser lançado este mês, permitirá que os usuários instalem aplicativos que impedem que anúncios apareçam no browser Safari.
Disponibilizar esses “bloqueadores de anúncios” a centenas de milhões de usuários de iPhones e iPads é uma ameaça ao mercado de marketing de dispositivos móveis, de 70 bilhões de dólares por ano, onde muitas editoras e empresas de tecnologia esperam gerar muito mais receita de um público cada vez maior. Se menos usuários virem os anúncios, as editoras – e outros participantes desse mercado, como agências de publicidade – obterão menos receita.
A iniciativa também é uma arma na disputa com o rival Google, que ganha mais dinheiro com anúncios na internet que qualquer outra empresa do mundo. Ao disponibilizar os bloqueadores de anúncios no iOS, um dos dois principais sistemas operacionais de smartphones, mais consumidores devem usar a tecnologia. Os benefícios de bloquear anúncios são bem maiores em smartphones do que em PCs, porque podem reduzir a confusão em telas pequenas e ajudar as páginas a carregarem mais rapidamente.
Bloqueadores de anúncios estão disponíveis há muito tempo para browsers de computadores pessoais e têm atraído um pequeno, mas fiel, séquito de seguidores.
Os usuários podem navegar na internet sem ver anúncios, links patrocinados em resultados de buscas ou comerciais antes de vídeos on-line. A Apple permite bloqueadores de anúncios em seu browser Safari para PCs.
Cerca de 6% dos usuários globais de internet usam bloqueadores de anúncios, segundo um relatório de agosto da PageFair e da Adobe Systems. Conforme esse relatório, 198 milhões de usuários usavam os bloqueadores de anúncios em junho de 2015, número 40% maior em relação ao ano anterior. O analista da Wells Fargo, Peter Stabler, estima que os bloqueadores de anúncios reduzirão os investimentos mundiais em publicidade na internet em 12,5 bilhões de dólares em 2016.
A Apple não está desenvolvendo o software para bloquear publicidade. Ela está permitindo que desenvolvedores externos criem programas compatíveis com o browser do seu iOS 9. Isso significa que os usuários precisam encontrar um aplicativo bloqueador de anúncios e instalá-lo, um passo extra que pode afastar algumas pessoas.
A empresa descreve os aplicativos como “bloqueadores de conteúdo” porque eles podem impedir que imagens e outras partes de páginas da internet sejam carregadas, assim como publicidade. E afirma que não permitirá bloqueio de anúncios dentro dos aplicativos, porque os anúncios dentro dos apps não comprometem o desempenho, como ocorre com o browser. Essa distinção serve aos interesses da Apple. Ela fica com 30% da receita gerada pelos apps e tem um negócio fornecendo anúncios dentro de aplicativos.
O apoio da Apple aos bloqueadores de anúncios acirra o conflito com o Google. Nos últimos 12 meses, o presidente da Apple, Tim Cook, tem criticado repetidamente as práticas de coleta de dados das empresas de tecnologia, como o Google, que personalizam os anúncios para os usuários. O gigante das buscas permite bloqueadores de anúncios em seu browser Chrome de computadores pessoais, mesmo que isso prejudique seu próprio negócio. Até o momento, não é tão fácil bloquear anúncios dentro do Chrome em dispositivos móveis. O Google não quis fazer comentários sobre o assunto. (AG)
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